Pela primeira vez em 20 anos, MDB adota neutralidade em primeiro turno
Congresso em Foco - Em convenção realizada nesta segunda-feira (27), a executiva nacional do MDB decidiu adotar uma posição de neutralidade para as eleições presidenciais, sem declarar apoio a qualquer candidato. Com isso, os diretórios estaduais ficam liberados para respaldar o nome que considerarem mais adequado ao Palácio do Planalto, conforme as alianças construídas em cada Estado.
É a primeira vez em duas décadas que a legenda chega ao período eleitoral sem uma definição nacional, seja com candidatura própria, seja integrada à coligação de outro partido. A última vez em que adotou essa posição foi em 2006, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disputou sua primeira reeleição e derrotou Geraldo Alckmin, do PSDB.
Partido presidido por Baleia Rossi preferiu se afastar da disputa presidencial e focar na ampliação de bancada.MDB Nacional/Divulgação
Divisões regionais
O MDB possui um longo histórico de divisões internas na definição de alianças nacionais. As preferências políticas variam entre os Estados conforme os grupos políticos de suas lideranças locais.
No Sul, Sudeste e Centro-Oeste, predomina no MDB o apoio a candidaturas de direita. Hoje, Flávio Bolsonaro (PL) e Ronaldo Caiado (PSD) são os presidenciáveis mais bem posicionados entre os dirigentes dessas regiões. No Norte e no Nordeste, por outro lado, Lula mantém alianças históricas com lideranças emedebistas, que tendem a declarar apoio à sua candidatura.
Para o presidente nacional do MDB, deputado Baleia Rossi (MDB-SP), a neutralidade fortalece a unidade da sigla. "A liberação nacional acaba unindo e pacificando, deixando o partido mais forte para que nos estados tenha um resultado bastante positivo", declarou. Em vez de concentrar esforços na disputa pelo Planalto, a prioridade da legenda será ampliar sua representação no Congresso.
Quebra de padrão
Da redemocratização até as eleições de 2010, o MDB normalmente evitava integrar chapas presidenciais. Nesse período, participou diretamente da disputa apenas três vezes: em 1989 e 1994, com as candidaturas de Ulysses Guimarães e Orestes Quércia, e em 2002, na chapa do PSDB, indicando Rita Camata para a vice-presidência de José Serra.
Em 2006, a legenda voltou a permanecer fora da disputa nacional. O cenário mudou em 2010, quando Michel Temer foi eleito vice-presidente na chapa de Dilma Rousseff. A partir daí, o MDB esteve presente em todas as eleições presidenciais até 2022.
Dilma e Temer foram reeleitos em 2014. No fim de 2015, porém, a aliança entre PT e MDB foi rompida durante o processo de impeachment da presidente, levando Michel Temer a assumir interinamente a Presidência da República com apoio de partidos que integravam a oposição.
Em 2018, o MDB voltou a lançar candidatura própria, com Henrique Meirelles, coligado apenas ao extinto PHS. Foi o pior desempenho da história da legenda: o candidato obteve 1,2% dos votos válidos, enquanto a bancada na Câmara caiu para 34 deputados, o menor número desde a redemocratização.
Nas eleições de 2022, o partido novamente concorreu com candidatura própria, desta vez da então senadora Simone Tebet, em aliança com o Podemos e a federação PSDB-Cidadania, que indicou a senadora Mara Gabrilli (PSD-SP) para a vice-presidência. Tebet terminou a disputa em terceiro lugar, com 4,16% dos votos válidos, e a bancada da legenda cresceu para 42 deputados.