• Redação
  • 22/05/2026

Rejeitado pela PGR e MP de São Paulo, Beto Louco fecha delação premiada na Bahia

O empresário Roberto Leme, conhecido como Beto Louco, acaba de firmar acordo de delação premiada com o Ministério Público da Bahia (MPBA). Ele é apontado como um dos líderes de um ecossistema de fraudes na rede de distribuição de combustíveis ligado ao PCC e está foragido desde agosto do ano passado, quando foi deflagrada a Operação Carbono Oculto.

Com a delação, a expectativa é que ele forneça detalhes sobre a ramificação do esquema de adulteração de combustível na Bahia. Ao SBT News, a defesa de Roberto Leme, representada pelo advogado Guilherme San Juan, afirmou que não pode se pronunciar sobre as tratativas de delação.

Nessa quinta-feira (21), o Ministério Público baiano deflagrou a Operação Khallas a partir de informações de Roberto Leme. A Khallas é um desdobramento da Operação Primus, realizada logo após a Carbono Oculto, em 16 de outubro de 2025. A operação prendeu um auditor fiscal da Secretaria da Fazenda, além de outras duas pessoas.

Segundo o MPBA, a ação investiga uma macroestrutura criminosa que teria causado um prejuízo aos cofres públicos estimado em cerca de R$ 400 milhões em ICMS. O SBT News apurou que o executivo Ciro Valentini, sócio da refinaria Dax Oil, está entre os alvos.

Antes de firmar o acordo na Bahia, a defesa de Beto Louco já esteve em tratativas de delação com a Procuradoria-Geral da República e com o MP de São Paulo (MPSP). Nos dois casos, as propostas foram negadas porque deixaram de revelar conexões com o crime organizado ou apresentar nomes de políticos e juízes supostamente envolvidos no esquema criminoso.

Ele também teria procurado o MP do Rio em razão das possíveis ligações do esquema com o estado do Rio de Janeiro. Ao lado de Mohamad Hussein Mourad, conhecido como Primo, Beto Louco é apontado pelas investigações como operador do ecossistema da Copepe/Aster, considerado por anos um rival da Refit (ex-Manguinhos), ligada ao empresário Ricardo Magro.

Os investigadores, contudo, suspeitam que os dois empresários teriam trabalhado em conjunto no Rio de Janeiro para executar fraudes fiscais com apoio de agentes do poder público estadual. Por essa razão, o Ministério Público do Rio acompanha com atenção a investigação em São Paulo desde a deflagração da Carbono Oculto.

Outro lado

Em nota, a Dax Oil disse que está à disposição das autoridades e que a defesa não teve acesso aos autos da investigação. "Todas as nossas operações são realizadas em conformidade com a legislação vigente e normativas regulatórias dos governos estadual e federal, com todos os registros em notas fiscais e toda a carga tributária declarada e paga conforme o ente federativo", disse. "Da mesma forma, a empresa está adimplente com suas obrigações fiscais, tributárias e financeiras e com toda a documentação comprobatória referente a idoneidade das suas transações para apresentação, caso necessário. Não há, nem nunca houve, qualquer relação da empresa com postos de combustíveis."

O governo do Estado da Bahia foi procurado e não se manifestou. O espaço da reportagem segue aberto.