• Redação
  • 22/05/2026

"Nunca fomos atrás da Lei Vorcaro para financiar artista", diz Lula

Congresso em Foco - Durante cerimônia de entrega de investimentos no setor cultural no Espírito Santo, o presidente Lula tornou a ironizar a respeito dos vazamentos de mensagens do pré-candidato do PL ao Planalto, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e de aliados próximos, envolvendo os pedidos de dinheiro a Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, para o financiamento do filme "Dark Horse".

Fazendo alusão às críticas recorrentes do adversário à Lei Rouanet, Lula afirmou que "como a verdade não falha, nós nunca fomos atrás da lei Daniel Vocaro para financiar nenhum artista brasileiro".

Para o presidente, os vazamentos envolvendo a produção do filme inspirado na campanha presidencial de Jair Bolsonaro em 2018 são parte de um processo mais amplo de esgotamento do grupo político de seu antecessor.

"Ainda vai aparecer muito mais coisa, porque nós estamos convencidos que o período da mentira, o período das ofensas, o período da violência, o período da incivilidade precisa acabar no nosso país", declarou.

Esta é a terceira vez em que Lula ironiza publicamente a interação do adversário com Daniel Vorcaro. No dia 14, logo após o primeiro vazamento de mensagens, o petista afirmou que não iria comentar porque era "caso de polícia", e que o assunto deveria ser abordado na delegacia. No dia seguinte, durante entrega de investimento para saúde em São Paulo, ressaltou que "esse hospital não tem dinheiro do Vorcaro".

Vazamentos

O caso envolvendo a relação entre Flávio e Vorcaro veio à tona no dia 13, após o portal Intercept Brasil divulgar mensagens e áudios atribuídos a Flávio Bolsonaro em diálogos com Daniel Vorcaro. Segundo a reportagem, o senador buscava apoio financeiro para o filme Dark Horse em meio a dificuldades para custear a produção.

Conforme a apuração, ao menos US$ 10,6 milhões, cerca de R$ 61 milhões, teriam sido pagos entre fevereiro e maio de 2025 para viabilizar o projeto cinematográfico. O montante total negociado seria de US$ 24 milhões, aproximadamente R$ 134 milhões.

Flávio admitiu ter recorrido a Vorcaro em busca de financiamento, mas negou qualquer irregularidade. O parlamentar afirmou que se tratava de "patrocínio privado para um filme privado" sobre a trajetória do pai. Também negou ter oferecido vantagens, intermediado negócios com o governo ou recebido dinheiro pessoalmente.

Dois dias depois, o Intercept divulgou novas mensagens e documentos indicando que Eduardo Bolsonaro teria ficado responsável pela gestão orçamentária da produção. O ex-deputado negou ter recebido dinheiro do banqueiro.