Recursos para 'Dark Horse', malas para dinheiro vivo e repasses nas Bahamas: o que se sabe da delação de empresário ligado a Vorcaro
G1 - Homologada nesta quarta-feira (9) pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, a delação do empresário Antonio Carlos Freixo Junior lista pagamentos a fundo que financiou o filme "Dark Horse", uso de empresa nas Bahamas para pagamentos a mando do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e compra de malas apenas para entregas de dinheiro vivo.
Conhecido como Mineiro, Freixo Junior é o dono da Entre Investimentos. Ele firmou um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) em 8 de agosto, após cerca de 4 meses de negociações, e o acordo foi aceito por Mendonça nesta quarta.
Relembre abaixo pontos já revelados da delação do empresário.
Malas de dinheiro vivo
Antonio Carlos disse à PGR que movimentou em torno de R$ 1,3 bilhão de 2020 a 2025 para o ex-banqueiro, dono do extinto Banco Master. Ainda de acordo com o empresário, as demandas por dinheiro vivo eram feitas pelo próprio banqueiro, seu sócio Augusto Lima e, depois, pelo cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel./i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/f/m/F7FgZKQyqh4kyLbpHiQg/entre-vorcaro.jpg)
Antônio Carlos Freixo Júnior e Daniel Vorcaro — Foto: Reprodução
Na proposta de delação, o empresário afirmou que malas contendo entre R$ 1 milhão e R$ 1,5 milhão eram entregues para Zettel e também para motoristas de Zettel e Vorcaro.
O g1 apurou que o delator entregou à PGR recibos de malas adquiridas pela internet para guardar o dinheiro, que era utilizado para "pagamento de comissões e vantagens indevidas."
Para conseguir o dinheiro em espécie, Antonio Carlos entrava em contato com três operadores. Em seguida, fazia transferências bancárias para empresas indicadas por esses operadores — uma delas era uma distribuidora de combustíveis que, segundo o delator, já apareceu nas investigações da Operação Carbono Oculto, em São Paulo.
'Dark Horse'
Freixo Junior relatou em sua proposta de delação, agora homologada, que fez sete repasses, a título de "subscrições de cotas", para o fundo Havengate nos Estados Unidos, usado para financiar o filme "Dark Horse", sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo ele, as transações foram feitas de janeiro a setembro de 2025, a mando de Daniel Vorcaro, e totalizaram US$ 12,333 milhões. Pela cotação de setembro de 2025, esse valor equivalia a R$ 62,8 milhões.
- 🔎A subscrição de cotas é um processo em que um fundo emite novas cotas para aumentar seu patrimônio, recebendo aporte de investidores. Os valores foram pedidos a Vorcaro pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), hoje candidato à Presidência.
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O ator norte-americano Jim Caviezel interpreta o ex-presidente Jair Bolsonaro no filme 'Dark Horse' — Foto: Reprodução
O delator relatou que a previsão inicial era de um envio de cerca de US$ 24 milhões entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, mas acabaram sendo feitas somente sete transações.
Antonio Carlos entregou às autoridades os comprovantes das transferências para pagamento das subscrições de cotas e os e-mails que trocou com o responsável pelo fundo Havengate, Paulo Calixto, advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos EUA.
O delator afirmou que não tinha conhecimento do destino dos valores enviados ao fundo, e que as ordens para os pagamentos ao fundo gerido por Calixto eram confirmadas por Vorcaro pouco antes das datas previstas para cada "subscrição".
A PF investiga se a totalidade do dinheiro foi usada no filme "Dark Horse", como afirmam Flávio Bolsonaro e a produtora Go Up, ou se uma parte foi destinada para outros fins — como bancar Eduardo Bolsonaro nos EUA.
A assessoria de Flávio Bolsonaro foi questionada sobre os relatos do delator, e respondeu que as informações têm sido dadas pela produtora Go Up, que já apresentou as contas do filme.
Dinheiro das Bahamas
Antonio Carlos também afirmou em seu acordo de delação que fez outros pagamentos no exterior, a mando de Vorcaro, por meio de sua empresa Entre Investiments and Arbitrage Ltd. — sediada em Nassau, nas Bahamas.
O empresário disse que, nesses casos, Vorcaro lhe enviava "invoices" (faturas) que deveriam ser pagas. Ele não detalhou quem eram os beneficiários desses pagamentos.
O g1 apurou que uma das linhas de investigação da PF é se recursos que estavam em paraísos fiscais, como as Bahamas, também foram enviados ao fundo Havengate ou pessoas relacionadas a ele.
Procurado, o advogado do delator, Marco Petrelluzzi, disse que não vai comentar o caso devido ao segredo de Justiça.
A Go Up contratou uma auditoria particular que afirmou, em junho deste ano, que as contas de "Dark Horse" estão regulares — mas não tornou públicos os documentos, como as notas fiscais dos gastos do filme. Segundo essa auditoria particular, o filme custou R$ 75 milhões e foi bancado pelo fundo Havengate.