• Redação
  • 15/07/2026

PT pode até fechar aliança, mas convencer a militância a pedir votos é outra história

A história recente do PT no Rio Grande do Norte mostra que a militância nem sempre acompanha, de forma automática, as decisões construídas pelas principais lideranças partidárias. Um dos exemplos mais lembrados foi a eleição de 2022, quando, apesar do apoio de lideranças petistas à candidatura de Carlos Eduardo ao Senado, parte significativa da base resistiu à campanha em razão de seu histórico político e de posições anteriores, como o apoio a Jair Bolsonaro no segundo turno de 2018. O episódio reforçou a percepção de que a militância petista costuma atribuir grande peso à trajetória política dos candidatos.

Caso uma eventual chapa ao Senado reúna Rafael Motta, Samanda Alves e Cadu Xavier, o desafio pode voltar a aparecer. Rafael reúne em sua trajetória passagens que costumam gerar críticas em setores da esquerda, como o voto favorável ao impeachment de Dilma Rousseff, o período em que integrou a base do governo Michel Temer, sua participação na gestão do então prefeito Álvaro Dias e, mais recentemente, os embates políticos travados com Natália Bonavides e outros nomes da esquerda durante a disputa pela Prefeitura de Natal em 2024. Esses episódios tendem a alimentar resistências entre segmentos da militância petista.

As manifestações de militantes nas redes sociais e o histórico de divergências internas já indicam que uma eventual aliança formal não garantirá, por si só, engajamento espontâneo da base.