"Porque o caba não vai trabalhar. Ele trabalha de terça a quarta. O resto é tomando cachaça”, diz Styvenson criticando a falta de mão de obra na construção no interior do RN
DO AGORA RN
O senador Styvenson Valentim (Podemos), candidato à reeleição, afirmou nesta quarta-feira 12 que pessoas do interior do Rio Grande do Norte não querem trabalhar e que a falta de mão de obra tem levado o setor da construção civil a buscar tecnologias capazes de reduzir a quantidade de profissionais nas obras.
“Não tem como a gente falar em desenvolvimento, não tem como a gente falar em melhores empregos, não tem como a gente falar em ocupar um espaço competitivo se a educação da gente é ruim”, declarou. Na sequência, acrescentou: “Porque hoje a maior dificuldade do interior na construção civil — e a gente fala com propriedade porque paga a emenda para construir no interior — é para conseguir um trabalhador. Porque o caba não quer trabalhar”, enfatizou.

Candidato à reeleição, senador Styvenson Valentim diz que pessoas só quererem trabalhar dois dias na semana - Foto: Divulgação Fiern
A fala aconteceu durante sabatina com candidatos ao Senado promovida pela Federação das Indústrias (Fiern) e pelo Sindicato das Empresas de Rádio, Televisão, Jornais, Portais e Revistas (Midiacom-RN) na Casa da Indústria, em Natal.
“Aí a gente tem que buscar metodologias hoje inovadoras. Construir sem muito trabalhador em pouco tempo”, afirmou. O senador citou a utilização de formas de PVC preenchidas com concreto e disse que a tecnologia permitiria construir escolas em sete meses e creches em cinco meses. “Tecnologia nova. Por quê? Porque o caba não vai trabalhar. Ele trabalha de terça a quarta. O resto é tomando cachaça”, completou.
Ao longo da sabatina na Fiern, Styvenson apresentou a construção civil como um instrumento de geração de empregos e defendeu a associação entre recursos públicos e capital privado. Citou como exemplo os recursos de emenda parlamentar que ele destinou ao longo do mandato à Liga Contra o Câncer no Seridó.
“Eu fiz uma parceria público-privada que gera emprego. Gera muito emprego na construção e gera emprego depois da construção, quando está em funcionamento. Manda uma emenda, constrói, gera emprego na construção civil, gera emprego consumindo o material que tem na cidade e gera emprego depois de construído, servindo ao povo”, enfatizou.
O candidato à reeleição também defendeu a implantação do Porto-Indústria Verde de Caiçara do Norte, estimado por ele em aproximadamente R$ 6 bilhões, e a atração de data centers para aproveitar a energia renovável produzida no Estado. Segundo Styvenson, um projeto de sua autoria para regulamentar data centers e inteligência artificial poderia contribuir para um mercado de R$ 230 bilhões e mais de 16 mil empregos.
Restrições ambientais e burocracia
e do Midiacom-RN, Styvenson Valentim também responsabilizou a burocracia ambiental e o que classificou como interferência ideológica pela perda de investimentos do Rio Grande do Norte para estados vizinhos. Segundo o candidato, as dificuldades para obter licenças e executar intervenções em áreas protegidas atrasam obras, elevam custos e impedem o aproveitamento dos potenciais turístico e energético do Estado.
O senador afirmou que o excesso de restrições é uma queixa recorrente do setor produtivo e comparou o desempenho potiguar ao de outras unidades da Federação. “Vamos concordar: por que os estados do lado estão atraindo muito mais investimento? Os resorts estão indo para ali, os data centers estão indo para ali. Para cá está vindo o quê? A facção criminosa?”, questionou.
Ao responder sobre como conciliar preservação ambiental e desenvolvimento econômico, Styvenson afirmou que empresários, prefeitos e parlamentares não pretendem destruir os recursos naturais. Para ele, o objetivo é utilizar esses ativos para gerar empregos, renda e arrecadação. “Ninguém quer acabar com o meio ambiente. Ninguém quer degradar o meio ambiente. A gente quer aproveitar o meio ambiente para gerar emprego, renda, para desenvolver o nosso Estado”, declarou.
Como exemplo dos entraves, citou uma obra em Tourinhos, no município de São Miguel do Gostoso. Segundo Styvenson, recursos de emendas parlamentares foram destinados à pavimentação de uma rodovia estadual e a melhorias na infraestrutura turística da praia, mas a construção de quiosques enfrentou restrições relacionadas à área de desova de tartarugas.
“Quando chega lá na Praia de Tourinhos para fazer os quiosques, liberaram e depois ‘desliberaram’. ‘Espera aí, calma, não pode fazer mais não, porque a tartaruga vai botar o ovo bem aí’”, afirmou. De acordo com o senador, a interrupção de uma intervenção depois de iniciada provoca aumento dos custos e pode inviabilizar a conclusão dos serviços. “Para a obra, encarece a obra, a obra não sai, o dinheiro já não dá mais”, acrescentou.
Styvenson também citou uma intervenção para desassorear o Rio Jundiaí em Macaíba, destinada, segundo ele, a reduzir alagamentos e prejuízos ao comércio. O candidato afirmou ter enviado R$ 2,8 milhões para a limpeza do curso de água e para a realização de obras de drenagem nos bairros próximos.
De acordo com seu relato, o prefeito Emídio Júnior (PP) teria respondido a três processos instaurados pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema) em razão da intervenção. “Sabe o que aconteceu com o prefeito Emídio? Três processos do Idema. Por que limpou o rio? Ele não fala do assunto, não, mas eu falo”, disse. Styvenson não apresentou detalhes sobre os procedimentos, as eventuais irregularidades apontadas pelo órgão ambiental ou o andamento dos casos.
“Isso é um absurdo, gente. Não dá para você mover uma areia”, protestou. Para o senador, a insegurança em torno das autorizações desestimula empresas interessadas em se instalar no Rio Grande do Norte. “Quem quer investir no Estado do Rio Grande do Norte com essa dificuldade burocrática?”, perguntou.
Data centers
O candidato também apontou o licenciamento ambiental como um dos obstáculos à instalação de data centers. Styvenson disse que o RN reúne energia renovável, disponibilidade de espaço e condições para receber empreendimentos do setor, mas perde oportunidades para o Ceará, onde a regulamentação estaria mais avançada. Conforme declarou, o Estado desperdiça 24% da energia limpa produzida, excedente que poderia ser utilizado por grandes centros de processamento de dados.
Styvenson afirmou ser autor de um projeto em tramitação no Senado para regulamentar nacionalmente a instalação de data centers e atividades ligadas à inteligência artificial. Segundo ele, o setor pode movimentar R$ 230 bilhões e gerar mais de 16 mil empregos. “É inaceitável o Estado do lado já ter uma legislação, já ter destravado algo que gera R$ 230 bilhões, mais de 16 mil empregos. O Ceará está na frente da gente e a gente atrás”, criticou.
O senador atribuiu parte do atraso do Rio Grande do Norte à atuação de um grupo reduzido de pessoas dentro da estrutura pública. “O que é que impede o Estado do Rio Grande do Norte de sair desse atraso? Meia dúzia de pessoas que têm a cabeça atrasada”, afirmou, sem identificar a quem se referia.