• Redação
  • 14/06/2026

PL mantém salário de núcleo ligado a Bolsonaro e custo chega a quase meio milhão em quatro meses

O Globo - Com a maior fatia dos recursos públicos que abastecem os partidos políticos, o PL desembolsou ao menos R$ 484 mil entre janeiro e abril deste ano para remunerar integrantes do núcleo político ligado a Jair Bolsonaro. Os pagamentos constam na prestação de contas da legenda e incluem nomes da família do ex-presidente, como Michelle e Carlos Bolsonaro, além do ex-ministro da Saúde Marcelo Queiroga e ex-assessores do governo anterior.

Os valores representam um retrato parcial dos gastos do partido em 2026, já que as siglas têm até o fim de junho do ano seguinte para concluir a prestação de contas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Assim, os números ainda podem crescer com novos lançamentos. Procurado, o PL não comentou.

A maior remuneração é destinada a Michelle Bolsonaro, que recebeu R$ 101,5 mil nos três primeiros meses do ano, com repasses mensais de R$ 33,8 mil. Presidente do PL Mulher, sua atuação é central na estratégia da legenda para ampliar a presença entre o eleitorado feminino. Ela também não se manifestou.

O segundo maior valor é o de Carlos Bolsonaro, que recebeu R$ 83,5 mil no período, em pagamentos descritos como “serviços técnico-profissionais”. Contratado em dezembro de 2025, após deixar a Câmara do Rio, ele atua como dirigente partidário e é pré-candidato ao Senado por Santa Catarina.

Outro nome é o do coronel André Costa, que recebeu R$ 66,1 mil entre janeiro e março. Ex-secretário especial de Comunicação no governo Bolsonaro, ele permanece próximo da família e atua no PL Mulher, com influência nas estratégias políticas e de comunicação.

O ex-ministro Marcelo Queiroga também foi remunerado, com R$ 65,9 mil pagos em três parcelas. Segundo ele, o vínculo se refere a atividades partidárias na área da saúde, com foco na formulação e acompanhamento de políticas públicas. Médico cardiologista, Queiroga comandou o Ministério da Saúde de março de 2021 a janeiro de 2023, durante a pandemia de Covid-19.

Entre os mais próximos da família Bolsonaro está Tércio Arnaud Tomaz, que recebeu R$ 44,8 mil. Ex-assessor especial da Presidência, integrou o núcleo de estratégia digital do governo. Seu nome foi associado ao chamado “gabinete do ódio”, grupo apontado como responsável por organizar ataques a adversários políticos nas redes sociais. A mulher de Tércio, Bianca Arnaud, também foi contratada e recebeu R$ 23,3 mil. O casal foi procurado, mas não comentou

Outras ex-assessoras passaram a receber do partido. Adriana Mendes Fortes, ex-colaborado do general Walter Braga Netto, ganhou R$ 44,8 mil em cinco pagamentos, incluindo despesas relacionadas a transportes, viagens e alimentação, enquanto Carolina Gaia e Silva, que assessorou o general Luiz Eduardo Ramos, recebeu R$ 26 mil. Procuradas, elas não responderam.

Salário para Castro

O PL também mantém entre seus quadros o ex-governador do Rio Cláudio Castro, com salário líquido de R$ 27,8 mil (R$ 38 mil brutos). Segundo a legenda, ele atua na interlocução com prefeitos e lideranças municipais. O contrato foi fechado após o ex-governador ser alvo da Polícia Federal. Ele teve seu nome associado a apurações que envolvem a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e que o levaram a desistir da disputa ao Senado.

Os recursos dos salários vêm do Fundo Partidário, principal mecanismo de financiamento das legendas, formado por verbas públicas e privadas. Pela lei, 5% é dividido igualmente entre os partidos, e 95% conforme o desempenho eleitoral. O PL, com a maior bancada da Câmara, recebeu R$ 193 milhões em 2025.

Os valores podem ser usados para despesas administrativas, pagamento de pessoal, manutenção de sedes, consultorias e formação política, entre outras atividades ligadas ao funcionamento dos partidos.