• Redação
  • 29/04/2026

Paulinho Freire chancelou a engorda de Ponta Negra e virou liderado do secretário porta-voz de obra fracassada

O prefeito Paulinho Freire chegou ao comando do Executivo municipal beneficiado por um ambiente político construído em 2024, impulsionado pelo apoio de Álvaro Dias e pela narrativa polarizada em torno da engorda de Ponta Negra. Naquele momento, criou-se a ideia de um embate entre desenvolvimento e atraso, como se houvesse oposição à obra em si, quando, na prática, os questionamentos eram sobre sua execução. Já em 2025, com problemas mais visíveis e críticas crescentes, havia espaço político para um reposicionamento. Ainda assim, o prefeito optou por manter a linha de defesa do projeto, endossando discursos oficiais e assumindo, na prática, a continuidade da narrativa construída anteriormente.

Esse movimento acabou produzindo um efeito político incomum: ao sustentar a obra e suas versões, Paulinho Freire se vinculou diretamente ao desgaste gerado por ela e passou a dividir, ou até absorver, o ônus das contradições públicas associadas ao secretário de meio ambiente Thiago Mesquita. Com declarações frequentemente contestadas por fatos e um ambiente de crescente questionamento, o secretário se tornou símbolo da crise, e o prefeito, ao invés de se distanciar, acabou politicamente subordinado a essa agenda. O resultado é uma inversão de papéis rara: o chefe do Executivo condicionado à narrativa de um auxiliar, em meio a uma crise que segue em escalada.