Da narrativa que elege à crise que cobra: como a engorda de Ponta Negra virou de trunfo em 2024 a risco político em 2026
A polarização construída em torno da engorda de Ponta Negra em 2024 foi central para consolidar um ambiente político favorável ao então prefeito Álvaro Dias. A obra foi apresentada como símbolo de desenvolvimento, enquanto críticos, não contra a obra mas ao modo como ela estava sendo encaminhada, foram enquadrados numa narrativa simplificada, associados ao esquerdismo e acusados de travar o progresso por meio de entraves ambientais, com o Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte colocado sob pressão institucional. Esse enquadramento ajudou a criar um “clima de escolha binária” que, na prática, não correspondia à realidade: não havia oposição à obra em si, mas questionamentos técnicos sobre sua execução. Ainda assim, a narrativa cumpriu função política e eleitoral naquele momento.
O cenário de 2026, porém, reposiciona essa mesma obra como fonte de desgaste. A polarização perde força diante dos fatos e das investigações em curso, com a entrada do Tribunal de Contas da União e do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Norte ampliando o escrutínio sobre possíveis irregularidades. A crise técnica e política da engorda passa a ocupar o centro do debate, enquanto o próprio Álvaro Dias se afasta do foco público em meio à escalada do problema. O que antes funcionou como ativo eleitoral agora se converte em passivo político: a narrativa que ajudou a vencer em 2024 pode, no ritmo atual, se tornar um dos principais fatores de risco para 2026.