• Redação
  • 28/05/2026

Os ataques de Styvenson contra uma mulher - sempre contra uma mulher -, a prefeita Nilda, ignoram lições deixadas pelo desastre da engorda de Ponta Negra

POLITICAGEM, FALSA POLÊMICA E BUSCA POR ENGAJAMENTO NAS REDES

Em vídeo divulgado recentemente, o senador Styvenson Valentim volta a atacar uma mulher - sempre uma mulher -, a prefeita Nilda Cruz, por conta do processo de emissão de licenças e da condução administrativa relacionada às obras e procedimentos públicos no município, isto é, o hospital da Liga em Parnamirim. O parlamentar cobra rapidez extrema e tenta transformar a tramitação técnica em sinal de incompetência ou omissão da gestão municipal. O problema é que o discurso ignora um ponto elementar: licença pública não é concedida com base em pressão política ou vídeo para rede social, mas sim a partir de critérios legais, técnicos e ambientais previstos em lei. Ninguém é contrário a construção de um hospital e o secretário de meio ambiente da cidade respondeu ao senador, dizendo o óbvio: os servidores estão atuando com máximo afinco num pedido protocolado no mês de Maio. O Brasil não é bodega. 

O senador parece ter transformado o debate público em um exercício permanente de ataques e confrontos gratuitos, ignorando aspectos técnicos e legais que precisam ser respeitados em qualquer obra ou processo administrativo. Licença pública não é um capricho político, mas sim um instrumento previsto em lei, baseado em normas ambientais, urbanísticas e de segurança. Acelerar procedimentos sem respeitar critérios técnicos pode gerar consequências graves e irreversíveis.

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O Rio Grande do Norte conhece muito bem o preço de atropelar etapas. A engorda de Ponta Negra virou um exemplo emblemático disso. Vendida politicamente como solução definitiva, a obra passou a acumular questionamentos técnicos, problemas de drenagem, erosões, espelhos d’água e necessidade de intervenções corretivas milionárias. Hoje, a própria Prefeitura admite a necessidade de novos investimentos para corrigir falhas estruturais. E é justamente aí que surge a contradição: o senador ataca o cumprimento de trâmites legais quando o maior exemplo recente de precipitação administrativa no estado ocorreu sob a gestão do ex-prefeito Álvaro Dias, aliado político e pré-candidato do mesmo campo liderado por Styvenson.

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É importante lembrar que licença não existe para “atrapalhar” obra. Ela existe para evitar improvisos, danos ambientais, desperdício de dinheiro público e erros históricos. Quando agentes públicos tentam passar por cima de exigências legais, quem paga a conta depois é a população. Defender rapidez sem responsabilidade pode até render discurso inflamado para rede social, mas não resolve problemas reais e ainda pode aprofundá-los.

Pré-candidato ao Senado, Styvenson deveria compreender que ocupar cargo público exige equilíbrio, humildade e capacidade de diálogo. O eleitor espera firmeza, mas também maturidade institucional. O Rio Grande do Norte não precisa de um ambiente político baseado em ataques permanentes — ainda mais quando dirigidos de maneira agressiva contra uma mulher eleita democraticamente para administrar sua cidade. Precisa de lideranças que saibam discutir soluções concretas sem transformar cada debate em espetáculo de confronto. Talvez esteja na hora de o senador descer do salto, abandonar a política do ataque contínuo e reconhecer que respeitar a lei e os trâmites técnicos não é fraqueza: é responsabilidade administrativa.