NEPOTISMO - Styvenson se elegeu prometendo seleção para cargos comissionados; agora quer deixar o Senado para a própria irmã
Em 2018, Styvenson Valentim construiu sua imagem política prometendo romper com os velhos costumes da política. Um dos símbolos desse discurso foi o anúncio de um processo seletivo para preencher cargos comissionados em seu gabinete, iniciativa apresentada como uma forma de privilegiar mérito em vez de indicações pessoais ou políticas. Anos depois, porém, a promessa nunca se concretizou plenamente: candidatos chegaram a participar da seleção, mas os aprovados não foram chamados, enquanto o gabinete seguiu sendo preenchido por nomeações convencionais, justificadas pela necessidade do mandato.
Agora, a mudança de postura parece ainda mais evidente. O senador admite indicar a própria irmã como primeira suplente, afirmando que hoje já não vê o nepotismo com os mesmos olhos de quando foi eleito. O argumento central deixou de ser o mérito e passou a ser a confiança. Segundo o próprio Styvenson, a escolha está ligada ao projeto de disputar o Governo do Rio Grande do Norte em 2030. Caso seja eleito governador, quem assumirá automaticamente a vaga no Senado será justamente sua suplente. Em outras palavras, a cadeira deixaria de ser entregue a um aliado político para permanecer dentro do núcleo familiar.
A política naturalmente exige confiança, mas ela também cobra coerência. O mesmo senador que transformou o combate ao nepotismo em uma de suas principais bandeiras, chegando inclusive a defender uma PEC para endurecer sua proibição, hoje afirma que mudou de opinião e considera natural entregar a sucessão do mandato à própria irmã. A discussão, portanto, vai além da legalidade da escolha. Ela diz respeito à distância entre o discurso que levou Styvenson ao Senado e as decisões que passou a adotar no exercício do poder. Se antes a promessa era substituir relações pessoais por critérios objetivos de seleção, agora o vínculo de confiança familiar é apresentado como o principal critério para definir quem poderá ocupar uma das cadeiras mais importantes da República.