ONU adota novo mapa-múndi que mostra tamanho real da África
SBT - A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) votou a favor da adoção de um novo mapa-múndi, que mostra com mais precisão as dimensões da África. A decisão não obriga países e instituições a utilizar o modelo, mas deve influenciar mudanças nos mapas empregados por organizações ao redor do mundo.
A iniciativa batizada de "Corrigir o Mapa", patrocinada pelo Togo e apoiada pelos membros da União Africana (UA), foi aprovada nesta sexta-feira (4), com o apoio de 164 nações, incluindo França e Reino Unido. Os Estados Unidos foram o único país a votar contra, e houve seis abstenções.
O mapa tradicionalmente utilizado, denominado Mapa de Mercator ou Projeção de Mercator, foi criado em 1569 pelo cartógrafo flamengo Gerardus Mercator para ajudar navegadores europeus a percorrer o mundo. Desde então, o modelo passou a ser amplamente empregado em diferentes países.
O Mapa de Mercator representa a África com tamanho semelhante ao da Groenlândia, embora o continente africano seja 14 vezes maior. Críticos afirmam que essa distorção contribui para minimizar as necessidades de desenvolvimento e o potencial dos países próximos à linha do Equador, prejudicados pela representação cartográfica.
A distorção ocorre porque é impossível representar com total precisão a superfície de um globo terrestre em um mapa bidimensional, como uma imagem impressa ou exibida em uma tela. Na elaboração de qualquer mapa, é necessário fazer concessões em aspectos como tamanho, forma ou distância.
O novo modelo, denominado Projeção Equal Earth, foi elaborado em 2018 por Tom Patterson, Bojan Šavrič e Bernhard Jenny, especialistas em cartografia e visualização geográfica. Em fevereiro, os Estados-membros da UA adotaram o acordo e afirmaram que ele "representa com mais precisão a dimensão de todos os continentes, em particular da África".
Antes da votação desta sexta-feira, o ministro das Relações Exteriores do Togo, Robert Dussey, afirmou à agência de notícias Reuters que "um mundo justo começa com um mapa justo". Anteriormente, ele havia declarado, durante uma reunião informativa da ONU, que "um mapa nunca é neutro", já que "molda percepções" e "influencia a forma como o lugar dos povos e continentes no mundo é compreendido".
Em consonância com a decisão da ONU, o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, afirmou que seu ministério deixaria de usar o mapa de Mercator. Para ele, a modificação “não muda o mundo”, mas corrige uma representação que o “distorce", o que "já é um ato de verdade".
Yarina Ferecevych, representante dos Estados Unidos na ONU, afirmou que a resolução ridicularizava o trabalho e o propósito da Assembleia Geral. Segundo ela, o órgão deveria se concentrar em "problemas genuínos", e não em projetos cartográficos do século 16 e seu papel na promoção de reparações.