A conta que ninguém mostrou: três bombas fiscais ainda ignoradas pelos candidatos ao Governo do RN
A campanha para o Governo do Rio Grande do Norte já produziu uma longa lista de promessas, mas os principais candidatos ainda precisam enfrentar três questões decisivas: como administrar o crescimento da folha de pessoal, como enfrentar a pressão previdenciária e o que fazer diante do peso dos duodécimos repassados aos demais Poderes. São temas pouco atraentes eleitoralmente, mas fundamentais para qualquer discussão séria sobre os próximos quatro anos. Afinal, governar não é apenas anunciar o que será feito, mas explicar de onde sairá o dinheiro.
A folha representa uma despesa rígida e crescente, enquanto a Previdência estadual pressiona o Tesouro e tende a disputar recursos com investimentos e políticas públicas. Ao mesmo tempo, existe a discussão sobre os duodécimos destinados aos Poderes e órgãos autônomos, que retira previamente uma parcela relevante das receitas disponíveis ao Executivo. O próximo governador terá de dizer se pretende buscar mudanças, negociar despesas, rever prioridades ou simplesmente administrar essas pressões dentro do modelo atual.
É justamente aí que falta uma peça central no debate eleitoral. Prometer hospitais, estradas, segurança, concursos, reajustes e novos programas é relativamente fácil; explicar como tudo isso caberá no orçamento é outra história. Sem respostas para folha, Previdência e duodécimos, o eleitor conhece o catálogo de promessas dos candidatos, mas ainda não conhece seus planos de governo naquilo que determina se essas promessas poderão, de fato, sair do papel.