O individualismo de Styvenson salvou o campo lulista de uma derrota completa na disputa pelo Senado no RN
A sorte do campo lulista na disputa pelo Senado no Rio Grande do Norte esteve, em grande medida, alicerçada no individualismo de Styvenson Valentim. Conversei com diversos analistas políticos e de pesquisas eleitorais, e a compreensão do processo converge com a avaliação deste missivista: o campo de Lula só conseguiu eleger Samanda Alves porque Styvenson não quis alinhar sua candidatura à de Coronel Hélio. Ao fazer uma campanha individualizada, sem trabalhar pelo casamento de votos com o outro candidato do campo bolsonarista, Styvenson acabou favorecendo, ainda que involuntariamente, a eleição de uma representante da esquerda.
No sábado anterior à eleição, este blogueiro chegou a manifestar a diversos interlocutores a preocupação com um possível crescimento de Coronel Hélio. O raciocínio era simples: enquanto o campo lulista distribuía seus votos entre três candidaturas, Styvenson poderia fortalecer Hélio ao estimular seus eleitores a escolherem os dois nomes da direita. Isso criaria uma vantagem competitiva importante para o bolsonarismo com o processo de verticalização apresentado na última semana - o eleitor foi a urna e votou de Lula até Divaneide ou de Flávio até Coronel Azevedo. O resultado das urnas demonstrou como a disputa estava apertada: Samanda, Zenaide Maia e Coronel Hélio terminaram na casa dos 17% dos votos, separados por diferenças relativamente pequenas.
O individualismo de Styvenson foi, portanto, decisivo para impedir que o bolsonarismo conquistasse as duas vagas ao Senado. Não tenho dúvidas de que, caso tivesse realizado uma campanha efetivamente casada com Coronel Hélio, transferindo parte de sua força eleitoral para o aliado ideológico, Hélio seria hoje senador. Diante da votação tão próxima entre os três concorrentes, bastaria um deslocamento relativamente pequeno de votos para alterar o resultado. A esquerda não venceu apenas por seus próprios méritos. Foi também beneficiada pela incapacidade da direita de coordenar suas candidaturas. A exemplo do que ocorreu em diversos estados, diferentemente daqui, a esquerda pulverizou seu voto ao senado entre muitos nomes, enquanto a direita foi capaz de concentrar sua votação em apenas dois postulantes. Paradoxalmente, Styvenson, um dos principais nomes da direita potiguar, acabou sendo fundamental para garantir a sobrevivência eleitoral do lulismo na disputa pelo Senado.