As propostas de Allyson e Cadu cabem no orçamento do RN? O ajuste fiscal virá, mas ninguém quer falar sobre ele
Allyson Bezerra e Cadu de Lula apresentam propostas para o Rio Grande do Norte, mas uma pergunta fundamental permanece sem resposta: de onde virá o dinheiro para executá-las? O estado enfrenta graves dificuldades fiscais, com uma folha de pessoal pressionada, déficit previdenciário, elevado comprometimento das receitas com despesas obrigatórias, duodécimos expressivos e limitações para investimentos com recursos próprios. Não basta anunciar obras, ampliar serviços ou prometer melhorias salariais sem demonstrar como essas iniciativas encontrarão espaço no orçamento. A realidade é que o próximo governador herdará uma estrutura fiscal que exigirá decisões difíceis.
O ajuste fiscal virá, independentemente de quem vencer a eleição. A questão é saber como será realizado, quem arcará com seus custos e quais prioridades serão preservadas. Haverá revisão de despesas? Mudanças na previdência? Renegociação de compromissos? Reorganização administrativa? Ampliação de receitas? Até agora, Allyson e Cadu preferem concentrar suas campanhas nas promessas e nos ataques políticos, deixando em segundo plano o problema que condicionará a execução de praticamente todas as propostas. O eleitor potiguar precisa conhecer não apenas o que os candidatos pretendem fazer, mas sobretudo como pretendem financiar suas promessas e enfrentar o desequilíbrio fiscal do estado. Quem vencer não poderá governar apenas com o discurso da campanha.