O erro de Fátima que o governo não pode repetir
Fátima Bezerra passou oito anos sofrendo desgaste político em uma correlação profundamente desigual na disputa pela opinião pública. O governo do Rio Grande do Norte manteve uma verba de publicidade praticamente congelada desde os tempos de Wilma de Faria, enquanto prefeituras, especialmente a de Natal, passaram a disputar a narrativa pública com recursos proporcionalmente muito mais expressivos. Natal, por exemplo, dispõe de uma verba publicitária estimada em patamar semelhante à do governo estadual e pode concentrar tudo na capital. Nessa equação, torna-se politicamente vantajoso para uma prefeitura atribuir ao Estado problemas que também são de responsabilidade municipal. Paulinho Freire terá incentivos para reproduzir essa estratégia, sobretudo diante da perspectiva de disputar a reeleição contra Natália Bonavides em 2028.
O governo Cadu não pode repetir esse erro. Sem ampliar sua capacidade de comunicação institucional, continuará vulnerável ao desgaste provocado por adversários que dispõem de instrumentos próprios para disputar a opinião pública. Não basta realizar obras, prestar serviços e organizar as contas públicas. É necessário comunicar resultados, esclarecer responsabilidades e enfrentar narrativas que atribuem ao governo estadual problemas de outras esferas administrativas. A experiência de Fátima demonstra o custo político de permanecer em desvantagem nessa disputa. Se Cadu não corrigir essa assimetria, poderá passar os próximos quatro anos sangrando politicamente, mesmo que consiga apresentar resultados administrativos.