• Redação
  • 01/11/2026

O alinhamento Valdemar-Michelle-Tarcísio e a nova geopolítica da direita

Guilherme Amado - Na semana seguinte à derrota de Flávio Bolsonaro para Lula na eleição presidencial, uma nova geopolítica da direita brasileira emergiu das urnas e em decorrência dos movimentos de Flávio, fugido nos Estados Unidos. De um lado, o senador, seu entorno mais próximo no país de Donald Trump e bolsonaristas mais radicais no Brasil. Do outro, um alinhamento que se desenha entre Valdemar Costa Neto, presidente do PL, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas.

A leitura sobre a divisão é compartilhada por políticos da direita mais moderada, nomes ligados a Valdemar e bolsonaristas chegados a Flávio, cada vez mais contrariados com os movimentos do trio.

O presidente do PL já disse abertamente que uma chapa “ideal” para 2026 teria tido Tarcísio de Freitas como candidato à Presidência e Michelle Bolsonaro como vice. Interlocutores de Valdemar Costa Neto afirmam que ele vai trabalhar para fortalecer a ex-primeira-dama internamente no PL, enquanto Tarcísio, do Republicanos, é candidato natural em 2030 e já se movimenta como tal.

A avaliação sobre esse alinhamento Valdemar-Michelle-Flávio, isolando Flávio, foi reforçada pela sucessão de gestos de cada um nos dias seguintes à vitória de Lula.

A lista inclui uma reunião entre Valdemar e Michelle na terça-feira, 27/10; uma visita dele a Bolsonaro na prisão domiciliar, na quinta-feira, 29/10; o vídeo “a eleição passou, o Brasil fica” e a entrevista ao jornal “O Estado de S.Paulo”, ambos de Tarcísio de Freitas, na terça e na quinta-feira; a publicação de Michelle na sexta-feira, 30/10, em que incluiu Tarcísio como destinatário de “muito respeito, carinho e gratidão” de Jair Bolsonaro; e nenhum endosso — muito ao contrário — dos três à carta golpista divulgada por Flávio na quarta-feira, 28/10.

Aliados de Flávio já tem manifestado contrariedade com esse alinhamento e, como mostrou a coluna, os dois lados esperam que o grupo do senador comece a atacar publicamente essas movimentações, como é próprio do bolsonarismo em suas brigas internas.