• Redação
  • 20/06/2026

Nova vacina contra pneumonia e meningite começa a ser aplicada no SUS; veja quem pode receber

O Ministério da Saúde iniciou neste sábado (20) a aplicação da vacina pneumocócica 20-valente (Pneumo 20) em todo o país. O imunizante passa a integrar o Calendário Nacional de Vacinação e amplia a proteção de crianças contra doenças graves causadas pela bactéria pneumococo, como pneumonia, meningite, infecções no sangue e otite.

A nova vacina substitui a pneumocócica 10-valente utilizada até então na rede pública. A principal mudança é a ampliação da cobertura contra diferentes variantes da bactéria Streptococcus pneumoniae: enquanto a formulação anterior protegia contra 10 sorotipos, a Pneumo 20 oferece proteção contra 20.

Segundo o ministério, crianças menores de 5 anos que ainda não completaram o esquema vacinal poderão receber o novo imunizante nas unidades do Sistema Único de Saúde (SUS). Desde maio, mais de 570 mil doses foram distribuídas aos estados, e a previsão é que mais de 6,1 milhões de doses sejam entregues até o fim do ano.

A vacina já estava disponível na rede privada desde 2024, onde pode custar mais de R$ 500 por dose.

Vacina Pneumo 20 é destinada a todas as crianças de até 5 anos de idade. — Foto: Carla Cleto

O que muda com a nova vacina?

A ampliação da cobertura é considerada um dos principais avanços da mudança. A Pneumo 20 inclui sorotipos que hoje estão entre os mais associados a casos graves da doença pneumocócica no Brasil, como os tipos 3, 6A e 19A.

Dados divulgados anteriormente pelo Ministério da Saúde indicam que a nova formulação aumenta de 3% para 77% a cobertura contra os sorotipos mais relacionados a quadros graves em crianças menores de 5 anos.

Além das formas invasivas da doença, como meningite e infecções generalizadas, a vacina também protege contra casos de otite média, uma das infecções mais comuns na infância e que, em situações mais graves, pode provocar complicações auditivas.

Quem pode receber?

A estratégia de vacinação contempla:

  • crianças menores de 5 anos;
  • crianças a partir de 2 anos com condições clínicas especiais;
  • idosos institucionalizados com 60 anos ou mais;
  • povos indígenas a partir de 5 anos sem histórico vacinal.

Para os bebês, o esquema vacinal segue o calendário infantil:

  • 1ª dose aos 2 meses;
  • 2ª dose aos 4 meses;
  • Reforço aos 12 meses.

Já para idosos e outros grupos elegíveis, a aplicação é feita em dose única, conforme os critérios definidos pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI).

Por que a vacina é importante?

O pneumococo pode habitar as vias respiratórias sem causar sintomas, facilitando a transmissão, especialmente entre crianças pequenas. Em alguns casos, porém, a bactéria consegue invadir outras partes do organismo e provocar doenças potencialmente fatais.

Segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde com base em informações epidemiológicas recentes, o Brasil registrou cerca de 4,6 mil casos de meningite pneumocócica entre 2023 e 2025, com aproximadamente 1,4 mil mortes no período.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença pneumocócica continua sendo uma das principais causas de mortalidade infantil por enfermidades que podem ser prevenidas por vacinação.

A expectativa do governo é imunizar cerca de 2,4 milhões de bebês por ano com a nova vacina, ampliando a proteção contra formas graves da doença desde os primeiros meses de vida.