Não precisa ir ao Maranhão: a judicialização contra jornalistas está aqui no RN
Vejo gente chorando pitangas por causa de um processo no STF envolvendo um blogueiro do Maranhão. Sem sequer entrar no mérito daquela investigação, que tem circunstâncias próprias e passa por um blogueiro citado em apuração relacionada a um grupo criminoso investigado inclusive por homicídio, não é preciso atravessar a divisa para discutir os riscos da judicialização da atividade jornalística. O problema é reclamar com indignação do que acontece longe e, ao mesmo tempo, naturalizar situações semelhantes quando elas ocorrem aqui.
Nas terras de Poti, jornalista ou blogueiro que publica reportagem incômoda pode terminar colecionando demandas judiciais, inclusive quando trabalha com documentos públicos e fatos de evidente interesse coletivo. Se a preocupação é realmente com liberdade de imprensa, o princípio precisa valer independentemente de quem é o autor da reportagem, de quem foi atingido por ela ou de onde parte o processo. Defender o jornalismo no Maranhão enquanto se faz silêncio diante da judicialização de jornalistas no Rio Grande do Norte não é defesa de princípio: é conveniência.