• Redação
  • 05/08/2026

MISOGINIA - Flávio diz que teve filhas para cuidarem dele na velhice

O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou, nesta quarta-feira (5), que teve duas filhas para que elas cuidem dele na velhice. A declaração foi dada durante a entrevista coletiva que oficializou o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice em sua chapa para as eleições de 2026.

"Muitas vezes, na grande parte das vezes, quem tem que tomar conta dos idosos são as mulheres. Eu fiz duas filhas exatamente para isso. Quando eu ficar velhinho, eu vou ter quem vai tomar conta de mim porque as mulheres são assim: são família, são coração, são sentimento, são sensibilidade", disse o senador.

Flávio é pai de duas meninas, de 12 e 14 anos. Na sequência, o pré-candidato afirmou que tem aprendido durante a campanha sobre a "economia do cuidado", conceito que reúne atividades relacionadas ao cuidado de crianças, idosos e pessoas dependentes, desempenhadas majoritariamente por mulheres.

Segundo o senador, um eventual governo dele criaria um programa voltado ao reconhecimento e à valorização desse trabalho.

"Estou aprendendo muito com vocês sobre a economia do cuidado, onde 8,5% do nosso PIB seriam estimados se as mulheres fossem remuneradas. Isso nunca foi reconhecido e, no nosso governo, sob o comando da Daniella Marques [ex-presidente da Caixa Econômica], junto com a Fernanda, Damares e Tereza, elas vão comandar esse programa. Vai ser o maior programa de mobilidade social do mundo. Vai ser o maior programa de inserção e de garantia de autonomia financeira para as mulheres que esse país já viu", afirmou.

Após meses de negociações para a composição da chapa, o senador buscava indicar uma mulher para o posto, em uma tentativa de reduzir a resistência do eleitorado feminino à sua candidatura.

Entre os nomes cotados estavam a ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques, cuja indicação dependia de um acordo com o Republicanos. A possibilidade, porém, foi descartada após o partido decidir permanecer neutro nas eleições de 2026. Outra alternativa era a senadora Tereza Cristina (PP-MS), mas o PP também recusou uma aliança com a campanha do senador.