Recusa de famílias barra 63% das doações de órgãos no RN; mais de mil aguardam transplante
A recusa dos familiares ainda é um dos principais obstáculos para a doação de órgãos no Rio Grande do Norte. Dados da Central de Transplantes apontam que 63% das famílias consultadas não autorizam o procedimento, índice superior à média nacional de 42%. Enquanto isso, 1.022 pessoas aguardam algum tipo de transplante no estado.
A maior demanda é por córneas, com 617 pacientes na fila, seguida por rins, com 372, e medula óssea, com 33. Entre os fatores associados à elevada recusa estão a falta de informação, o desejo de preservar a integridade do corpo e a resistência ao tempo necessário para a retirada dos órgãos. Conversar em vida com os familiares sobre o desejo de ser doador pode facilitar uma decisão que precisa ser tomada justamente em um momento de luto.
Além da negativa familiar, a rede potiguar enfrenta dificuldades estruturais. Há casos em que órgãos deixam de ser aproveitados por problemas de transporte e articulação, enquanto a insuficiência de equipes de captação aparece entre os gargalos do sistema. Ampliar a conscientização sobre a doação e melhorar a estrutura disponível são medidas importantes para reduzir a distância entre potenciais doadores e quem permanece aguardando na fila.