Ministério Público de SP decide rejeitar delação de Beto Louco e Primo, investigados na Carbono Oculto
SBT News - O Ministério Público de São Paulo decidiu rejeitar a proposta de acordo de delação premiada apresentada pelos empresários Roberto Leme, conhecido como Beto Louco, e Mohamad Hussein Mourad, o Primo, apurou o SBT News.
Procurada, a defesa dos empresários não quis se manifestar.
O responsável pela decisão foi Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, reconduzido ao cargo de procurador-geral de Justiça pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) em abril.
Beto Louco foi alvo da Operação Carbono Oculto, que investiga a infiltração do crime organizado no setor de combustíveis e no mercado financeiro. Ele e Mourad, também na mira da operação, estão foragidos e na lista de procurados da Interpol. Segundo reportagem do jornal O Globo, eles foram localizados pela Polícia Federal na Líbia.
O motivo para a decisão do Ministério Público de São Paulo de rejeitar a proposta foi a avaliação de que a proposta apresentada omitiu esquemas de lavagem de dinheiro, escondeu conexões com a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital), e não apresentou nomes de políticos nem de juízes.
A proposta envolvia apenas o nome de um magistrado, que já havia sido processado e responsabilizado pelo MPSP.
Beto e Primo são apontados pelos investigadores como peças centrais de estratégia de infiltração da facção criminosa PCC no setor de combustíveis e no mercado de capitais.
Mourad seria o administrador de uma rede de empresas em nome de “laranjas”, e Louco cuidaria da gestão financeira de estrutura, usando fundos e holdings para ocultação de patrimônio.
As defesas de ambos têm negado quaisquer relações dos investigados com o crime organizado.
Em dezembro do ano passado, uma proposta de delação de Beto Louco foi rejeitada pela PGR (Procuradoria-Geral da República). Na ocasião, a avaliação foi a de que não havia elementos concretos na documentação apresentada.