• Redação
  • 14/09/2026

Mendonça afastou diretor da PF três dias depois que Dino autorizou operação contra seus aliados

ICL - A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta segunda-feira (14) uma operação que tem como principal alvo de buscas o deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP), aliado do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A coluna apurou que a operação tinha sido autorizada pelo ministro Flávio Dino na sexta-feira, 5 de setembro. Três dias depois, na terça-feira, 8, o ministro André Mendonça decidiu afastar o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.

Mendonça tinha determinado o afastamento alegando que tinha sido monitorado pela corporação devido a relatórios juntados pelo ministro Alexandre de Moraes. Na quarta-feira, 9, o ministro Flávio Dino restabeleceu Rodrigues no cargo e, posteriormente, o presidente do STF, Edson Fachin, cassou ambas as decisões que afastaram Rodrigues. Fachin também pediu explicações a Rodrigues que negou ter monitorado o ministro ou a ilegalidade dos relatórios.

Portanto, a ação deflagrada hoje já estava autorizada há 9 dias e acabou retardada pela crise no STF e pelo afastamento de Andrei Rodrigues pedido por Mendonça na semana passada. O nome de Cezinha de Madureira também apareceu recentemente em mensagens extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e reveladas pelo jornalista Paulo Motoryn no ICL Notícias e na newsletter Noites Húngaras. Segundo o conteúdo revelado, o deputado teria atuado na articulação de um encontro entre Vorcaro e André Mendonça, realizado em São Paulo, em março de 2025.

Essa é a terceira fase da Operação Transparência e investiga suspeitas de exploração de prestígio, tráfico de influência, corrupção passiva e lavagem de dinheiro em negociações relacionadas a processos que tramitam em tribunais superiores. Ao todo, a PF cumpre quatro mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e em São Paulo.

Outro alvo da PF é a advogada Valéria Rodrigues Linhares, companheira do deputado Cezinha. Ela foi detida em 25 de agosto no aeroporto de Congonhas com R$ 510 mil em dinheiro vivo na bagagem de mão. Valéria se preparava para embarcar para Brasília quando o dinheiro foi identificado durante a inspeção da bagagem. Segundo as informações divulgadas sobre o caso, ela afirmou que apresentaria posteriormente documentação para comprovar a origem dos valores.

Segundo a corporação, as investigações indicam que integrantes do grupo investigado teriam negociado com terceiros o pagamento de valores elevados, condicionados ao resultado de processos judiciais.

“As investigações apontam que integrantes do grupo teriam negociado com terceiros o pagamento de valores expressivos, condicionados ao resultado de processos em curso, a pretexto de influir em decisões judiciais”, informou a PF. O parlamentar ainda não se manifestou sobre a operação.

A Operação Transparência teve início em dezembro de 2025, inicialmente para investigar possíveis irregularidades na destinação de emendas parlamentares.