MEMÓRIA POLÍTICA: candidatura de Álvaro traz de volta caso dos dez parentes nomeados sem concurso para cargos efetivos na Assembleia
A eleição de 2026 recoloca sob escrutínio a trajetória dos candidatos ao Governo do Rio Grande do Norte. Álvaro Dias tenta se apresentar ao eleitorado com um discurso de mudança, mas sua longa passagem pela política potiguar também retorna naturalmente ao debate. Em fevereiro de 2018, o Agora RN revelou que pelo menos dez parentes de Álvaro eram investigados por terem sido nomeados, entre 1990 e 2002, para cargos efetivos da Assembleia Legislativa sem concurso público. O caso, conhecido como “Trem da Alegria”, envolvia outros 183 servidores e estava distribuído em 21 processos. Álvaro presidiu a Assembleia entre 1997 e 2003 e, segundo a reportagem, assinou algumas das nomeações investigadas.
Na época da publicação, os dez parentes ainda mantinham vínculo com a Assembleia: seis estavam aposentados e quatro continuavam trabalhando. A lista levantada pelo Agora RN incluía, entre outros, dois irmãos, a ex-esposa e uma prima de Álvaro. A reportagem também informou que o próprio Álvaro era réu em um dos processos. Segundo a apuração atribuída ao Ministério Público, ele havia ingressado originalmente no serviço público estadual como médico ligado à Secretaria de Saúde e foi posteriormente absorvido pela Assembleia, em maio de 1996, por ato da Mesa Diretora.
Quanto ao andamento judicial, o caso chama atenção justamente pela demora. As ações do Ministério Público chegaram a ser consideradas prescritas pela Justiça potiguar em 2012, mas, no ano seguinte, o STJ acolheu recurso do MPRN que defendia a imprescritibilidade dos atos, fazendo os processos retornarem à Justiça estadual. Em 2018, o Agora RN ainda registrava movimentações envolvendo recurso no STF e informava que o mérito permanecia pendente.
Álvaro respondeu à reportagem no dia seguinte. Em nota publicada pelo Agora RN, afirmou que a Assembleia não possuía, naquele período, quadro funcional de carreira e sustentou que os servidores citados haviam sido incorporados segundo os mesmos critérios aplicados aos demais funcionários da Casa. Também argumentou que as relotações eram decisões coletivas da Mesa Diretora, e não atos unilaterais seus, e considerou precipitada qualquer condenação antes de uma decisão definitiva da Justiça. O episódio é antigo, mas volta a adquirir interesse político quando Álvaro se apresenta em 2026 como candidato da mudança: se o passado dos adversários está em discussão na campanha, o seu também passa naturalmente pelo mesmo escrutínio.