• Redação
  • 05/08/2026

Master: O pedido da PF que André Mendonça negou na operação sobre Cláudio Castro

Do Globo, Por Malu Gaspar

Ao enviar ao Supremo Tribunal Federal (STF) a representação para a realização da oitava fase da Operação Compliance Zero, sobre as fraudes do Banco Master, a Polícia Federal (PF) solicitou ao ministro André Mendonça autorização para uma busca no escritório de advocacia que Cláudio Castro (PL) montou após deixar o governo do Rio de Janeiro.

Recorrendo a imagens de câmeras de segurança, os policiais mostraram que Castro saiu do escritório nos dias anteriores à operação, no final de maio.

A suspeita dos agentes é de que o ex-governador foi avisado sobre a iminência da operação e usou as bolsas para retirar do local documentos que estariam ligados ao caso Master. Mendonça, porém, alegou que a PF não conseguiu demonstrar que houve de fato uma tentativa de obstruir a Justiça ou mesmo comprovar o conteúdo das mochilas para justificar a medida.

Procurado pela equipe da coluna, Castro disse que pode sim ter saído do local levando e trazendo mochilas e caixas com papéis e objetos, já que fazia apenas um mês de sua saída do Palácio Guanabara, e ele ainda estava organizando o escritório.

Mas negou ter ficado sabendo que haveria uma nova operação sobre ele. “O que eu poderia estar querendo destruir, ainda mais tendo tomado [outra] busca dez dias antes? Tanto eu não desconfiava que fui ao cinema com meu filho e minha mulher na noite anterior ver o filme do Michael Jackson”, disse Castro.

O ex-governador também disse não ter conhecimento dos pedidos da PF. “Se o ministro tivesse autorizado, seria um escárnio jurídico”.

Castro já havia sido alvo de outra operação policial 11 dias antes, relacionada a investigações ligadas ao Grupo Refit dentro de uma ação relatada por Alexandre de Moraes.

Na ocasião, foram realizadas buscas em seu apartamento na Barra da Tijuca, como parte da investigação das fraudes bilionárias da Refit, refinaria do empresário Ricardo Magro.

Na operação seguinte, ordenada por Mendonça, a PF bateu na porta de Castro pela segunda vez, desta vez na cobertura para a qual ele se mudou no mesmo prédio, em busca de informações sobre o esquema de propina que levou o Rioprevidência, fundo de pensão do estado, a investir quase R$ 3,7 bilhões no Banco Master.

O escritório, porém, permaneceu ileso.

O ex-governador teve cinco celulares apreendidos pela Polícia Federal nas duas operações. Como mostrou a newsletter Jogo Político do GLOBO, um deles tinha 2 mil contatos salvos.