• Redação
  • 21/10/2026

Mariana, a mulher agredida com socos por bolsonarista, fala pela primeira vez

METRÓPOLES - A mulher agredida por um bolsonarista na estação Butantã do metrô, no domingo, depois do ato de Flávio Bolsonaro, revelou nesta quarta-feira (21/10) seu nome – Mariana – e falou pela primeira vez sobre a agressão sofrida enquanto esperava um carro de aplicativo para voltar para casa com uma camisa vermelha.

Fora das redes sociais há 10 anos, ela, que é atriz e arte educadora, disse resolveu abrir um perfil e gravar um vídeo porque o momento exige senso crítico para entender o que aconteceu. E fez seu relato:

“Quando faltavam poucos minutos para o carro chegar, vi um casal falando sobre a “lataria” de quem vota. Até que vi que estavam apontando para mim. Me dirigi até o homem e perguntei o que ele estava falando. Ele começou a falar que eu era uma vagabunda, suja, que ao contrário de mim ele sustentava 80 famílias e pagava impostos. Eu nunca tinha visto aquelas pessoas na vida”, contou.

O homem, como descobriu e revelou a coluna, é Diogo Freire Estevão, dono de uma empresa de logística em Vargem Grande Paulista, na região metropolitana de São Paulo. A coluna também revelou que, na mesma semana, a Justiça havia concedido uma medida protetiva a favor de uma mulher que ele ameaçou matar.

“Aquele homem começou a me peitar como se a gente estivesse num ringue. Quanto mais ele se aproximava, mais acuada eu me sentia. Meu instinto foi empurrar ele, e foi quando ele partiu pra cima de mim e começou a desferir socos em mim. Acertou a minha cabeça e meu rosto”, ela contou.

De acordo com Mariana, ela só foi acolhida por algumas meninas que presenciaram a cena e a ajudaram, incluindo a que gravou o vídeo que viralizou. Ainda assim, passou a ser agredida pela esposa de Diogo, Leda. “De repente a mulher começou a puxar meus dreads para arrancar. Só que os dreads são o meu cabelo. Isso dói muito”.

De acordo com a atriz, “ninguém, absolutamente ninguém” tentou ajudá-la, ainda que o vídeo mostre claramente a presença de dois policiais, que liberaram o agressor sem sequer contê-lo. A Polícia Militar sequer registrou o nome dele, que só é conhecido agora porque a agressão foi gravada e a coluna conseguiu indentificá-lo.

“Aquele lugar (a estação de metrô) era um lugar lotado. A gente espera encontrar um resquício de humanidade. Mas, enquanto eu chorava, pessoas passavam por mim rindo da situação. Sofri uma sequência de ofensas e humilhações. Ali permaneci acolhida pelas meninas e por uma segurança do metrô que apareceu depois. Eu estava voltando para casa e apanhei porque estava vestindo vermelho”, contou.

“A minha existência incomodou para quelas pessoas se sentissem no direito de me violar verbalmente e fisicamente”, contou.