• Redação
  • 17/06/2026

Lula e Trump se cumprimentam no G7, mas reunião não ocorre

Por Jamil Chade - ICL - Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump se cumprimentaram na noite de terça-feira, em Evian. Segundo o ICL Notícias apurou com exclusividade, o gesto entre os dois ocorreu durante um evento social privado, organizado pelos anfitriões franceses do G7.

Emmanuel Macron, que preside a reunião, havia colocado na agenda um concerto de um coral, seguido por um jantar restrito apenas aos chefes de estado. Foi após o evento musical que os dois líderes trocaram saudações, segundo relatos de quem esteve presente. Não houve foto e ambos seguiram para um jantar oferecido pelos franceses.

Apesar do gesto, Lula e Trump não se reuniram de forma bilateral para tratar do conteúdo da relação bilateral.

A saudação ocorreu algumas horas depois de Lula usar seu discurso no G7, nesta terça-feira, para mandar uma mensagem ao presidente americano. Para ele, a ação contra o crime organizado não pode violar a soberania de países, e medidas protecionistas unilaterais abalam o combate contra a pobreza.

Apesar de não citar o nome do presidente dos EUA, fez as duras críticas diante do republicano e dos demais líderes dos países ricos. Sua fala ocorreu no momento em que alas da extrema direita brasileira se aliam aos representantes da Casa Branca para usar o crime organizado como arma de uma ingerência nas eleições brasileiras.

De acordo com Lula, um dos desafios a ser enfrentado pela comunidade internacional é o crime organizado, “que aterroriza comunidades e desvia recursos públicos que deveriam ser direcionados para a construção de escolas, hospitais e estradas”.

Mas alertou: “Esse esforço (de ação internacional) deve levar em conta o respeito à soberania dos Estados”.

O recado foi dado dias depois de Trump classificar o PCC e o CV como grupos terroristas. Na América Latina, a Casa Branca ainda tem usado o tema do combate ao narcotráfico para fazer ataques em diferentes territórios e justificar sanções.

Sem reunião bilateral

O evento, sediado pela França, termina nesta quarta-feira. Mas, com as negociações técnicas sobre tarifas ainda em andamento entre Brasil e EUA, a avaliação de ambos os lados é de que não há ainda espaço que justifique levar o tema para o nível político mais elevado em um encontro formal.

Na terça-feira, a cúpula do G7 começou com uma foto de família entre os chefes de governo dos países que fazem parte do bloco e quatro convidados, entre eles o Brasil.

Um episódio causou polêmica em parte da imprensa brasileira. Ao subir ao local reservado para a foto, Lula foi abraçado por Antonio Costa, presidente do Conselho Europeu. Ele ainda saudou Keir Starmer, primeiro-ministro do Reino Unido, e o presidente do Egito, Al Sisi.

O egípcio estava ao lado de Trump. Mas, neste momento, Lula foi orientado a ir para o outro lado do grupo, já para se posicionar para a foto.

No espaço reservado para ele, o brasileiro saudou Friedrich Merz, chanceler alemão, e Ursula van der Leyen, presidente da Comissão Europeia.

Ao final da foto, Lula continuou a conversa com a europeia, com a ajuda de seu intérprete. Neste momento, Trump passou por ele e pareceu fazer um gesto na direção de Lula. O brasileiro, porém, não reagiu. O governo garante que Lula jamais teria esnobado o americano de forma deliberada.

Ao entrar na sala de reuniões, Lula foi colocado ao lado de Mark Carney, primeiro-ministro do Canadá.