• Redação
  • 04/08/2026

LABORATÓRIO DA IVERMECTINA: Natal apostou no "kit covid", teve mais adoecimento e mortes que o RN e o Brasil e agora vê o bolsonarismo ressuscitar as mesmas fake news sobre a pandemia

A volta do discurso em defesa da cloroquina, da ivermectina e do chamado "tratamento precoce" por setores do bolsonarismo representa o resgate de uma narrativa que já foi amplamente testada e rejeitada pelas evidências científicas. Mesmo após anos de estudos demonstrarem que esses medicamentos não reduziram mortes nem impediram a evolução da Covid-19, o tema voltou ao debate político, reproduzindo argumentos que marcaram os momentos mais críticos da pandemia. 

Se existe uma cidade que deveria ter imunidade contra esse tipo de desinformação, é Natal. A capital potiguar tornou-se um dos principais laboratórios da política do "kit Covid", com centros de atendimento voltados à distribuição de ivermectina e outros medicamentos, além do anúncio de milhões de comprimidos destinados à população. Apesar dessa estratégia, Natal registrou indicadores de adoecimento e mortalidade que superaram as médias do Rio Grande do Norte e do Brasil em diferentes momentos da pandemia. Esses dados demonstram que a aposta no chamado tratamento precoce não impediu a disseminação da doença nem evitou o elevado número de vítimas.

O que efetivamente alterou o curso da pandemia foi a vacinação em larga escala. À medida que a cobertura vacinal aumentou, houve redução expressiva das hospitalizações, dos casos graves e das mortes, permitindo o controle da emergência sanitária. Recolocar em circulação falsas promessas sobre medicamentos sem eficácia comprovada significa ignorar a experiência vivida pela própria população natalense e desconsiderar as evidências acumuladas pela ciência. Natal pagou um preço alto demais para voltar a cair nas mesmas fake news.