• Redação
  • 18/09/2026

Vorcaro procurou Gilmar Mendes no STF para pedir apoio em causa com impacto de até R$ 145 bilhões; Mendes votou contra os interesses do banqueiro

Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, reuniu-se com o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em abril de 2024 para defender uma tese jurídica relacionada a uma disputa bilionária envolvendo precatórios de usinas do setor sucroalcooleiro. Segundo reportagem da coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, o Master possuía bilhões de reais em créditos dessas empresas, que poderiam perder valor caso o Supremo rejeitasse ações indenizatórias contra a União. A AGU estima que uma vitória das usinas nos processos pode gerar impacto de até R$ 145 bilhões aos cofres públicos.

A Folha informa ainda que, na época do encontro, Vorcaro mantinha contrato de R$ 500 mil mensais com o empresário Chiquinho Feitosa, então cunhado de Gilmar Mendes. Feitosa teria auxiliado no agendamento da audiência. O gabinete do ministro afirma que o encontro ocorreu na sede do STF, em ambiente institucional, e que Gilmar não tinha conhecimento de eventuais tratativas privadas relacionadas ao caso. A reunião tratou de processo envolvendo a Destilaria Alcídia, no qual Vorcaro sustentava que decisões já transitadas em julgado não poderiam ser posteriormente revistas.

Apesar da audiência, a atuação posterior de Gilmar Mendes nos processos citados pela reportagem foi contrária aos interesses defendidos por Vorcaro. No caso da Destilaria Alcídia, por exemplo, Gilmar votou contra o pagamento do precatório e ficou vencido, ao lado de André Mendonça; prevaleceram os votos de Edson Fachin, Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli. A reportagem também registra outros julgamentos em que Gilmar se posicionou contra pagamentos reivindicados pelas usinas. O episódio acrescenta, portanto, mais um encontro de Vorcaro com integrante do Supremo, mas, neste caso, os votos documentados do ministro não acompanharam a tese defendida pelo ex-banqueiro.