• Redação
  • 23/07/2026

Investigação apura infiltração de facção criminosa no sistema judiciário para beneficiar presos no RN

G1 RN - A Justiça do Rio Grande do Norte tornou réus, nesta quinta-geira (23), uma ex-servidora terceirizada do Tribunal de Justiça (TJRN), um advogado e um chefe da facção Sindicato do Crime. Os três são investigados por envolvimento em um esquema criminoso na 1ª Vara Regional de Execução Penal.

Segundo o Ministério Público, que ofereceu a denúncia à Justiça, o trio usava a estrutura da Vara de Execução Penal para beneficiar presos da organização criminosa. A denúncia foi recebida no âmbito da Operação Entre Dois Mundos, iniciada em dezembro de 2025.

Os réus são a ex-servidora terceirizada Mayara Pereira Silva, o advogado Evandson Domingos Gomes e o apenado Israel de Andrade Maciel.

De acordo com o Ministério Público, a investigação não identificou indícios de participação de outros servidores ou autoridades do TJRN nos crimes atribuídos à ex-servidora.

Como funcionava o esquema

Segundo a denúncia, Mayara Pereira Silva atuava como assessora jurídica terceirizada e utilizava o acesso ao Sistema Eletrônico de Execução Unificado (SEEU) para alterar movimentações processuais e elaborar minutas de decisões judiciais.

Ainda de acordo com o MPRN, ela direcionou o processo de execução penal do próprio companheiro para apreciação por um juiz substituto durante as férias do magistrado titular. A medida teria resultado na concessão de progressão de regime e na retirada da tornozeleira eletrônica do preso.

A investigação também aponta que a ex-servidora elaborava petições para outros integrantes da facção, consultava prontuários do sistema prisional e repassava informações sigilosas obtidas em razão do cargo.

Papel dos outros denunciados

Segundo o Ministério Público, Israel de Andrade Maciel teria aliciado a companheira para atuar em favor da organização criminosa dentro da Vara de Execução Penal.

Ele também é apontado como responsável por oferecer facilidades judiciais a integrantes da facção, além de gerenciar o tráfico de drogas, negociar armas de fogo e utilizar contas de terceiros para ocultar dinheiro obtido com atividades criminosas.

Já o advogado Evandson Domingos Gomes, conforme a denúncia, teria cedido o próprio certificado digital para que a ex-servidora realizasse peticionamentos de fora do ambiente de trabalho.

O MPRN afirma ainda que ele atuava como intermediário entre lideranças presas e integrantes da facção em liberdade, transmitindo ordens, planilhas financeiras e recebendo pagamentos em dinheiro e drogas.

Crimes atribuídos

A ex-servidora responde pelos crimes de:

  • organização criminosa;
  • corrupção passiva;
  • advocacia administrativa;
  • violação de sigilo funcional;
  • lavagem de dinheiro.

Israel de Andrade Maciel responde por:

  • organização criminosa;
  • corrupção ativa;
  • tráfico de drogas;
  • lavagem de dinheiro;
  • comércio ilegal de armas de fogo.

Já o advogado foi denunciado por:

  • organização criminosa;
  • corrupção passiva;
  • corrupção ativa;
  • advocacia administrativa;
  • violação de sigilo funcional;
  • tráfico de drogas;
  • lavagem de dinheiro;
  • comércio ilegal de armas de fogo.

Operação

A Operação Entre Dois Mundos foi deflagrada em 11 de dezembro de 2025 pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPRN, com apoio da Polícia Militar do RN, do Ministério Público da Paraíba e do Grupo de Segurança Institucional do TJRN.

Durante o cumprimento dos mandados, foram apreendidos celulares, um notebook, o certificado digital do advogado, dinheiro em espécie, uma arma de fogo e munições.