Ibaneis conseguiu o que queria
Investigado por suspeitas de envolvimento no escândalo Master, Ibaneis Rocha (MDB), ex-governador do Distrito Federal, conseguiu o que queria. Saiu do cargo no último dia 30 para se candidatar ao Senado antes de o BRB ser obrigado a anunciar ao mercado que não iria mais publicar o seu balanço de 2025 dentro do prazo. Ibaneis conseguiu empurrar a bola para a sua sucessora, a vice-governadora Celina Leão (PP), que também dá sinais de não querer resolver a crise com a urgência necessária para o tamanho do problema do banco. O descumprimento do prazo legal de 31 de março para as companhias de capital divulgarem o balanço do ano anterior é resultado direto da incapacidade do governo do DF de buscar uma solução satisfatória para o BRB, após o envolvimento do banco público no fracassado projeto "Vértice" montado com Daniel Vorcaro para aquisição de parte do Master e patrocínio de Ibaneis. A violação do prazo, pela segunda vez consecutiva, não é um mero problema contábil, que vai gerar multas diárias ao banco. É a constatação de que a situação do BRB, um dos únicos cinco públicos regionais que restaram no país (o governo federal tem outros cinco), está se agravando pela inação. A direção do banco queria publicar o balanço —ruim devido às perdas provocadas pelas compras de carteiras fraudadas pelo Master— mas já com a solução para a capitalização. Não deu. O BRB perde mais um naco da sua credibilidade no mercado. O próprio presidente do BRB, Nelson Souza, admite problemas de liquidez e fala das estratégias lançadas para gerir o caixa do banco. Após a saída de Ibaneis, o BC também cobra compromisso da atual governadora com a capitalização, como fez com Ibaneis. O governo Lula já avisou que não vai socorrer. (por Adriana Fewrnandes, na Folha)