Hotelaria de Natal cheia por causa de Leo Foguete e Zeze di Camargo? Prefeitura faz projeções, mas não apresenta provas
A Prefeitura de Natal e representantes do setor hoteleiro comemoram os supostos impactos do São João na ocupação dos hotéis e na economia da capital, projetando uma movimentação superior a R$ 200 milhões e uma taxa média de ocupação em torno de 70%. O problema é que, ao menos nas informações divulgadas até agora, não foram apresentados levantamentos que permitam identificar quantos desses hóspedes efetivamente viajaram para Natal motivados pela programação junina.
É perfeitamente plausível que o evento gere renda para ambulantes, transporte por aplicativo, bares e restaurantes. O que parece menos evidente é a tese de que atrações como Leo Foguete ou outros artistas da programação estejam atraindo, em larga escala, turistas de outros estados exclusivamente para os shows, conforme fora alegado em matéria veiculada pela Tribuna do Norte com falas das instituições citadas. Sem pesquisas de origem dos visitantes, tempo de permanência, motivação da viagem e impacto específico na rede hoteleira, a narrativa permanece baseada muito mais em expectativas e declarações de autoridades do que em evidências empíricas. Se o São João de Natal já alcançou essa capacidade de impulsionar o turismo interestadual, a melhor forma de demonstrá-lo seria divulgar os dados que sustentam essa conclusão.
Mas cabe ponderar - com dados lastreados por pesquisa. Não vale dizer, como foi falado o fim de semana anterior, que o São João de Natal juntou quase 300 mil pessoas. Porque aí, por maior que seja a boa vontade, se mais alguém alardear tais números, teremos a prefeitura e os que se arriscam a colocar a imagem para jogo mentindo em conjunto.