• Redação
  • 30/10/2026

Governo Trump não pretende apoiar Flávio Bolsonaro como líder do Brasil

O governo dos Estados Unidos não pretende apoiar a reivindicação do senador Flávio Bolsonaro (PL) de ser o legítimo líder do Brasil, apesar de ter ajudado na entrada dele e de sua família no país. A informação foi publicada nesta sexta-feira (30) pela agência de notícias Reuters, com base em relatos de um funcionário americano e de outra pessoa familiarizada com o assunto.

De acordo com as fontes, que falaram sob condição de anonimato, o presidente Donald Trump não tem planos atuais de apoiar as ambições políticas de Flávio Bolsonaro. Os entrevistados ressaltaram, porém, que o posicionamento pode mudar.

Na segunda-feira (26), Trump afirmou que a eleição brasileira parecia ter sido “fraudada”, mas disse que não havia declarado apoio a nenhum candidato. Na mesma ocasião, afirmou que mantém uma boa relação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito no segundo turno com uma vantagem de 3,5 pontos percentuais.

A avaliação do governo americano ocorre após Flávio Bolsonaro deixar o Brasil e chegar a Miami, nos Estados Unidos, na quarta-feira (28). O senador viajou com a esposa e as duas filhas, passando pela Argentina e pelo Equador.

Segundo a Reuters, a saída foi decidida às pressas após uma determinação de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) para que Flávio entregasse o passaporte. A ordem atendeu a um pedido da Polícia Federal, que investiga o senador por suspeitas de dois esquemas de lavagem de dinheiro.

Durante a viagem, Flávio teria entrado em contato com funcionários americanos para tratar de sua chegada ao país. Jason Miller, assessor de Trump próximo à família Bolsonaro, teria ajudado a organizar o voo fretado na Argentina. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, recomendou que o senador fosse admitido no território americano, segundo uma das fontes ouvidas pela agência.

As autoridades americanas concederam a Flávio e à família uma autorização humanitária na fronteira, modalidade temporária de entrada que pode ser aplicada em situações de urgência humanitária ou de interesse público significativo.

Declaração de Flávio

Em uma carta publicada na rede social X na quarta-feira (28), Flávio Bolsonaro se declarou inicialmente “presidente eleito”. Depois, apagou a publicação e divulgou uma nova versão, na qual se apresentou como o legítimo “líder” do Brasil.

A saída do senador provocou críticas entre integrantes da oposição conservadora brasileira. Um terceiro funcionário americano ouvido pela Reuters afirmou que a influência política de Flávio teria diminuído após a decisão de deixar o país.

A agência também informou que integrantes do governo brasileiro avaliam que a saída do senador pode beneficiar Lula, ao enfraquecer a oposição conservadora no Congresso.