• Redação
  • 04/11/2026

Governo Cadu dá sinais de que estará mais à direita do que o de Fátima Bezerra

Os primeiros movimentos do governador eleito Cadu Xavier indicam que sua administração poderá se posicionar mais à direita do que a de sua antecessora, Fátima Bezerra. Não se trata necessariamente de uma mudança de identidade, mas de prioridades, interlocutores e estilo de governo. Três sinais chamam a atenção nesse início de transição.

O primeiro é a agenda econômica. Cadu demonstra disposição para promover um ajuste fiscal que, diga-se, é necessário. O governo precisa rever sua relação financeira com os demais poderes, redistribuir responsabilidades orçamentárias, controlar o crescimento da folha de pessoal e enfrentar o desafio previdenciário. A orientação sinaliza uma gestão mais preocupada com o equilíbrio das contas públicas.

O segundo sinal está na escolha dos interlocutores. O convite à Fiern e à Fecomércio para participar da transição indica uma aproximação com o empresariado. A expectativa é que as entidades sindicais tenham menos espaço do que tiveram durante a administração de Fátima Bezerra, cuja trajetória política sempre esteve fortemente vinculada ao movimento sindical.

Por fim, há a comunicação. Após a vitória, Cadu tem demonstrado preferência por veículos tradicionais e por espaços de comunicação identificados com a direita. A tendência, caso essa orientação se consolide, é que os chamados veículos progressistas tenham menos protagonismo e acesso do que tiveram no governo Fátima. Somados, os três movimentos sugerem um governo petista mais pragmático, fiscalmente conservador e disposto a dialogar prioritariamente com setores que não constituíam o núcleo político tradicional de sua antecessora.