• Redação
  • 28/07/2026

Flávio pode ter isolamento inédito em chapa presidencial

SBT - Flávio Bolsonaro (PL) foi oficializado candidato à Presidência da República no sábado (25) ainda sem nenhuma aliança formalizada, o que o coloca sob o risco de estabelecer uma marca inédita nas eleições desde a redemocratização: concorrer apenas com o próprio partido mesmo figurando bem nas pesquisas.

Nas nove disputas presidenciais realizadas de 1989 a 2022, todas as candidaturas que terminaram o primeiro turno nas duas primeiras colocações contaram com ao menos uma legenda aliada.

Flávio priorizou negociações com a federação formada por União Brasil e PP, cujos líderes já disseram que não haverá adesão formal, e com Republicanos, que também indica tendência de não alinhamento.

O precedente mais próximo ocorreu em 2018, com o pai de Flávio, Jair Bolsonaro, que concorreu pelo nanico PSL, mas conseguiu atrair outro nanico, o PRTB, partido do vice, Hamilton Mourão.

Pesa nessa comparação específica o fato de Flávio, diferentemente do pai há oito anos, integrar hoje um dos maiores partidos do país, o PL.

Quatro anos depois, já no PL e no exercício da Presidência, Jair Bolsonaro ampliou o arco com a adesão formal de PP e Republicanos à sua tentativa de reeleição.

Lula, vencedor daquela disputa, reuniu dez legendas em torno de sua candidatura. Agora em 2026 deve ter pelo menos sete (PT, PSB, PV, PC do B, PDT, Rede e PSOL).

Além do simbolismo político, uma aliança formal conta para a divisão do tempo de propaganda eleitoral na TV e rádio, que neste ano começa em 28 de agosto.

Como mostrou o SBT News, caso Flávio saia mesmo isolado na disputa, Lula terá quase a metade do tempo de propaganda, a terceira maior fatia da história.

Em 1989, primeira eleição direta para presidente após a ditadura militar (1964-1985), Fernando Collor concorreu com PRN, PTR, PSC e PST. Lula, derrotado àquela época, reuniu PT, PSB e PC do B.

As maiores alianças da história ocorreram em 2010, quando Dilma Rousseff (PT) reuniu dez partidos na sua campanha como sucessora de Lula, e em 2022, quando o atual presidente também obteve o apoio de 10 legendas para derrotar Jair Bolsonaro.

A ausência de parceiros tende a ser lida no mundo político como uma relativa descrença na possibilidade de vitória do candidato.

Os partidos mais cobiçados, que formam o chamado “centrão”, também são marcados pelo fisiologismo e pelo adesismo a governos de linhas ideológicas bastante distintas.

Uma coligação formal com um candidato que venha a ser derrotado representa um obstáculo à adesão ao vencedor.

Foi o caso de PP e Republicanos em 2022. Após integrarem a chapa derrotada de Bolsonaro, viram PSD, União Brasil e MDB, que ou tiveram candidato ou não formalizaram alianças, ganhar de cara nove ministérios no Lula 3.

PP e Republicanos só entraram no governo em setembro de 2023, mais de oito meses depois da posse.

O cenário ainda pode mudar. Os partidos têm até 5 de agosto para realizar convenções e deliberar sobre coligações. Os pedidos de registro das candidaturas, com os nomes de presidente e vice, devem ser apresentados à Justiça Eleitoral até 15 de agosto.

De 1994 a 2022, todas as chapas vencedoras, à exceção de 2018, foram lideradas por partidos de forte representação no Congresso ou sustentadas por alianças partidárias robustas.

Em 2018, a onda antipolítica varreu os favoritos e elegeu Jair Bolsonaro, candidato de um partido até então nanico.

COLIGAÇÕES DOS 2 MAIS BEM COLOCADOS

Eleições presidenciais de 1989 a 2022

1989

  • Primeiro colocado: Fernando Collor de Mello

Coligação: PRN / PTR / PSC / PST

Segundo colocado: Lula

Coligação: PT / PSB / PC do B

1994

  • Primeiro colocado: Fernando Henrique Cardoso

Coligação: PSDB / PFL / PTB

Segundo colocado: Lula

Coligação: PT / PSB / PPS / PV / PC do B / PCB / PSTU

1998

  • Primeiro colocado: Fernando Henrique Cardoso

Coligação: PSDB / PFL / PTB / PPB / PSD

Segundo colocado: Lula

Coligação: PT / PDT / PSB / PC do B / PCB

2002

  • Primeiro colocado: Lula

Coligação: PT / PL / PC do B / PMN / PCB

Segundo colocado: José Serra

Coligação: PSDB / PMDB

2006

  • Primeiro colocado: Lula

Coligação: PT / PRB / PC do B

Segundo colocado: Geraldo Alckmin

Coligação: PSDB / PFL

2010

  • Primeiro colocado: Dilma Rousseff

Coligação: PRB / PDT / PT / PMDB / PTN / PSC / PR / PTC / PSB / PC do B

Segundo colocado: José Serra

Coligação: PTB / PPS / DEM / PMN / PSDB / PT do B

2014

  • Primeiro colocado: Dilma Rousseff

Coligação: PT / PMDB / PSD / PP / PR / PROS / PDT / PC do B / PRB

Segundo colocado: Aécio Neves

Coligação: PSDB / PMN / SD / DEM / PEN / PTN / PTB / PTC / PT do B

2018

  • Primeiro colocado: Jair Bolsonaro

Coligação: PSL / PRTB

Segundo colocado: Fernando Haddad

Coligação: PT / PC do B / PROS

2022

  • Primeiro colocado: Lula

Coligação: PT / PSB / PC do B / PV / PSOL / Rede / Avante / Agir / Pros / Solidariedade

Segundo colocado: Jair Bolsonaro

Coligação: PL / PP / Republicanos