Flávio e Eduardo se apressam e negam influência em tarifas
SBT News - O pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e seu irmão Eduardo Bolsonaro se apressaram para negar qualquer tipo de influência sobre a decisão do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) de propor um novo tarifaço de 25% sobre alguns produtos brasileiros.
Horas depois do anúncio da decisão, os Bolsonaros concederam entrevistas dizendo que pediram na conversa que tiveram com o presidente Donald Trump na última terça-feira (26) para que não houvesse a sobretaxa.
“Eu pedi expressamente nas três reuniões que nós tivemos com o presidente Trump, com o vice JD Vance e com o secretário de Estado, Marco Rubio: ‘Não taxem as empresas brasileiras’”, afirmou Flávio Bolsonaro em entrevista à Rádio Itatiaia nesta terça-feira (2).
O pré-candidato acrescentou que disse aos americanos que a partir de 2027 haverá um “governo que vai sentar aqui com vocês, vai negociar de igual para igual, porque o nosso agro alimenta o mundo”. “Não é justo taxar as nossas empresas, a gente tem que valorizar a nossa tecnologia, o nosso Pix, o nosso etanol”, afirmou o senador.
Na mesma linha, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro disse que o Brasil prejudica as empresas americanas, fazendo referência principalmente às big techs e às plataformas de redes sociais, algumas das quais alvos de restrições impostas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
“Vamos ver qual atitude ele [Trump] vai tomar. Mas, mais uma vez, isso não é um pedido de Eduardo Bolsonaro. Eu sempre pedi sim sanções individuais, e não achem que a gente passou pela Casa Branca sem falar de Alexandre de Moraes pedindo o retorno da Magnitsky. Sempre que eu tenho oportunidade, eu peço para a Magnitsky retornar”, disse Eduardo em entrevista a um canal no YouTube.
Enquanto os irmãos Bolsonaro se mobilizaram para responsabilizar o presidente Lula e o ministro Alexandre de Moraes pelas sanções do USTR, o governo brasileiro vê uma influência direta da oposição, conforme mostrou a analista Basília Rodrigues.
Em uma rede social, a deputada e ex-ministra Gleisi Hoffmann (PT-PR) afirmou que o tarifaço é resultado das articulações de Eduardo Bolsonaro e que é “criminoso o que os Bolsonaros fazem contra o Brasil”. “Traidores da pátria, do povo brasileiro”, escreveu.
Nesta segunda-feira (1), o USTR concluiu uma investigação comercial contra o Brasil e afirmou que determinadas políticas e práticas brasileiras são "irracionais" ou "oneram" e "restringem" o comércio americano.
A avaliação foi feita com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O governo americano abriu uma consulta pública para discutir possíveis medidas corretivas, enquanto mantém negociações com o governo brasileiro. A proposta da USTR é aplicação de tarifas de 25% sobre todas as mercadorias do Brasil, com algumas isenções.