Entenda por que o atirador da chacina em cinema de SP foi liberado
O nome de Mateus da Costa Meira voltou a circular depois de relatos de que o ex-estudante de Medicina, responsável pelo massacre no Morumbi Shopping, em São Paulo, tem sido visto com frequência em shoppings de Salvador. Livre desde setembro de 2024, ele mora na capital baiana sob medida de desinternação condicional e faz acompanhamento psiquiátrico contínuo.
Relatos de sua aparição em praças de alimentação e salas de cinema semelhantes à que sofreu o ataque reacenderam o debate público sobre sua soltura. A repercussão ganha força entre frequentadores e autoridades que questionam a adequação das condições impostas pela Justiça.
Em 3 de novembro de 1999, aos 24 anos, Mateus invadiu uma sala de exibição do filme “Clube da Luta” no Morumbi Shopping, armado com uma submetralhadora. Ele abriu fogo contra o público, matou três pessoas e feriu outras nove, em um dos mais trágicos episódios de violência em um centro comercial brasileiro.
Durante o julgamento, a defesa sustentou que ele não teria condições de responder criminalmente devido a distúrbios mentais e uso de substâncias. Uma junta médica, porém, concluiu que o crime foi premeditado, levando ao indeferimento da tese de inimputabilidade.
Condenado em 2004 a 120 anos e seis meses de prisão em regime fechado, o atirador teve a pena reduzida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo para 48 anos e nove meses. Ele cumpriu parte da detenção na Penitenciária Lemos Brito, em Salvador, até responder por novos atos dentro da cadeia.
Em 2009, Mateus tentou matar um colega de cela com golpes de tesoura. A perícia local identificou quadro de esquizofrenia crônica grave, e em 2011 a Justiça baiana o declarou inimputável nesse crime, substituindo a pena por medida de segurança e determinando internação no Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico de Salvador.
Após cerca de 13 anos no hospital de custódia, novas avaliações médicas atestaram ausência de periculosidade iminente. Com base nos laudos, a Justiça concedeu em setembro de 2024 a desinternação condicional, sujeita a condições como tratamento ambulatorial, uso regular de medicação, proibição de álcool e drogas, restrição a locales de entretenimento noturno e recolhimento domiciliar.
Nos últimos meses, Mateus tem sido visto no Shopping Barra, em Salvador, frequentando cafeterias, livrarias e sessões de cinema. A exposição gerou apreensão entre comerciantes e clientes, que compartilharam imagens dele em grupos de mensagens. O Ministério Público da Bahia recorreu da decisão, mas ele permanece em liberdade monitorada, com possibilidade de revisão caso avaliações futuras indiquem risco de reincidência.