Enquanto o país discutia Michelle Bolsonaro, um feito histórico na educação brasileira passou quase despercebido
Nos últimos dias, um vídeo envolvendo Michelle Bolsonaro dominou as redes sociais, ocupou o debate político e mobilizou milhares de comentários. Enquanto isso, uma notícia de enorme relevância para o futuro do país recebeu muito menos atenção: pela primeira vez, a taxa de analfabetismo no Brasil caiu para menos de 5% da população com 15 anos ou mais, segundo o IBGE. Paralelamente, o programa Pé-de-Meia vem sendo associado à redução da evasão escolar, reforçando a permanência de milhões de jovens nas salas de aula.
Esse contraste revela muito sobre a forma como a polarização política define quais assuntos se tornam prioridade no debate público. Questões que envolvem disputas entre lideranças frequentemente recebem mais espaço do que indicadores sociais capazes de transformar gerações. A redução do abandono escolar e do analfabetismo não representa apenas um avanço educacional; amplia oportunidades de trabalho, fortalece a cidadania e pode contribuir, no longo prazo, para reduzir a vulnerabilidade social e a violência ao manter mais jovens estudando.
Também existe um debate mais amplo sobre os interesses presentes na valorização da educação. Há quem sustente que uma sociedade mais escolarizada amplia a concorrência por empregos qualificados, enquanto outros defendem que a expansão do acesso ao ensino beneficia toda a economia ao aumentar produtividade, inovação e mobilidade social. Independentemente dessa discussão, o fato é que uma conquista histórica na educação brasileira acabou ofuscada pelo noticiário político do momento. Talvez isso diga tanto sobre o Brasil quanto o próprio indicador divulgado pelo IBGE.