• Redação
  • 21/09/2026

Empresários investigados no escândalo do INSS citam ex-ministro de Bolsonaro em articulação para viabilizar entidade

Empresários investigados no esquema de descontos indevidos de aposentados do INSS citaram o ex-ministro do Trabalho e Previdência do governo Jair Bolsonaro, José Carlos de Oliveira, em conversas sobre a viabilização de entidades que atuariam junto ao instituto. Segundo reportagem do Estadão, gravações mostram integrantes do grupo conhecido como “golden boys” relatando tratativas que envolveriam o ex-ministro para conseguir um acordo necessário à operação de uma das associações.

Em um dos diálogos revelados pela reportagem, Igor Dias Delecrode afirma que Wilson Roberto Gomes, pai do empresário Felipe Macedo Gomes, teria dito que se reuniu com Oliveira para abrir caminho para a entidade. As associações relacionadas ao grupo movimentaram, segundo a apuração, mais de R$ 700 milhões. Uma delas, a Amar Brasil Clube de Benefícios, recebeu cerca de R$ 324 milhões entre 2021 e 2025. Quebras de sigilo também identificaram uma transferência de R$ 8 mil de Felipe Macedo Gomes para José Carlos de Oliveira, relação que permanece sob investigação.

Oliveira, que além de ministro de Bolsonaro foi presidente do INSS e diretor de Benefícios da autarquia, já havia sido indiciado pela Polícia Federal em outra frente da investigação, envolvendo a Conafer. Sua defesa, porém, nega qualquer relação particular ou profissional com os empresários e afirma que ele não interferia na celebração dos acordos de cooperação do INSS. Os advogados dos empresários disseram desconhecer as gravações e questionaram sua origem, autenticidade e integridade.