• Redação
  • 02/06/2026

Em dia de ataque ao Brasil, Trump posta foto com Flávio: ‘Ama o Brasil’

Jamil Chade - ICL - No dia em que o governo dos EUA decidiu atacar a economia brasileira, o presidente Donald Trump finalmente se pronunciou sobre a viagem de Flávio Bolsonaro para Washington. Em suas redes sociais, o americano elogiou o senador brasileiro. Mas não endossou sua candidatura para presidente e não fez qualquer referência ao processo eleitoral no Brasil.

Foi muito bom ter Flávio Bolsonaro no Salão Oval da Casa Branca — um jovem inteligente que ama muito o seu país, o Brasil!Presidente Donald J. Trump

Na semana passada, o encontro entre os dois ocorreu sem qualquer comentário público por parte da Casa Branca. Flávio viajou na tentativa de abafar o caso de seu envolvido com Daniel Vorcaro.

Nos dias seguintes à visita, o governo dos EUA adotou medidas de ingerência nos assuntos domésticos brasileiros. Ainda na semana passada, a Casa Branca designou o PCC e o CV como grupos terroristas.

Donald Trump publica fotos ao lado de Flávio Bolsonaro – Reprodução

Naquele momento, Eduardo Bolsonaro ainda alertou que “mais estaria por vir”, no que se refere às ações contra o Brasil.

Agora, a decisão da Casa Branca foi por encerrar as investigações comerciais contra o Brasil, sugerindo a aplicação de tarifas de importação de 25% para os produtos nacionais. Entre os argumentos, Washington acusou o Pix de prejudicar os interesses das empresas americanas.

Flávio Bolsonaro se apressou nesta terça-feira para tentar se desvincular de qualquer ação que Trump tenha adotado contra o Brasil.

O caso do envolvimento do senador também foi destacado pelo governo. Num comunicado emitido pelo Palácio do Planalto, as autoridades brasileiras indicam que a ação de Washington tem uma “motivação política” e alertaram que se trata de uma ingerência em assuntos domésticos do país.

O ICL Notícias apurou entre diplomatas que o governo Lula ainda acredita que exista espaço para uma negociação com os EUA. Mas rejeita qualquer ação dos EUA contra o Pix ou por terras raras.

No Palácio do Planalto, foi definido que o Brasil não irá ceder nesses temas estratégicos como barganha para evitar o tarifaço.

Na avaliação interna do governo, as novas barreiras atingiriam pouco menos de 30% do fluxo comercial do Brasil para os EUA, num valor de pouco mais de US$ 10 bilhões.

Uma lista de exceção também foi publicada, com carne, laranja e produtos desenvolvidos pela Embraer.

Mesmo assim, o governo Lula manifestou “indignação” com a conclusão preliminar do processo nos EUA e apontou o dedo para o bolsonarismo.

“Essa investigação teve início em 15 de julho de 2025 por provocação da família Bolsonaro e está associada à tentativa de ingerência em temas internos do nosso país, como feito na recente viagem do senador Flávio Bolsonaro a Washington”, denunciou o governo.

“Essas investidas têm contado com o auxílio de falsos patriotas que usam cargos e funções públicas para conspirar contra os interesses nacionais”, acusou.

“É lastimável que todo o trabalho de diálogo e articulação que o Governo brasileiro tem feito, inclusive com envolvimento pessoal dos Presidentes Lula e Trump, seja sabotado por interesses meramente eleitorais e familiares”, disse.

Para o governo, “não havia e não há justificativa para essas medidas unilaterais contra o nosso país ou contra patrimônios brasileiros como o PIX, mencionado explicitamente nas recomendações preliminares”.