Eleitos, Cadu e Samanda continuarão sendo “de Lula”?
Um movimento interessante ocorreu após as eleições de 2026 no Rio Grande do Norte. Cadu e Samanda, que durante a campanha adotaram o sobrenome político “de Lula” para reforçar a associação com o presidente, passaram a utilizar apenas seus próprios nomes, inclusive nas comunicações institucionais. A estratégia eleitoral era compreensível: Lula representava o principal ativo político das duas candidaturas, e a vinculação direta ao presidente funcionava como um poderoso instrumento de transferência de votos. Encerrada a disputa, entretanto, surge uma nova necessidade: construir identidades políticas próprias, agora na condição de eleitos.
A questão é saber como Cadu e Samanda serão chamados daqui para frente. Simplesmente Cadu e Samanda ou continuarão sendo “de Lula”? A mudança não é apenas uma curiosidade de comunicação. Ela expressa a passagem da lógica eleitoral para a lógica do exercício do poder. Durante a campanha, interessava maximizar a identificação com Lula. Depois da vitória, interessa também conquistar autonomia, autoridade e reconhecimento próprios. O desafio dos dois será administrar essa transição sem perder o capital político que os ajudou a vencer. Afinal, Lula pode transferir votos, mas não pode governar nem exercer um mandato por eles.