• Redação
  • 31/08/2026

Dez anos depois, a história foi implacável no RN com que votou pelo impeachment de Dilma

A bancada potiguar da Câmara teve um comportamento quase unânime no impeachment: em 17 de abril de 2016, sete dos oito deputados federais do RN votaram pela abertura do processo contra Dilma Rousseff. A única exceção foi Zenaide Maia. 

Dez anos depois, o destino político daquele grupo é bastante desigual. Fiz o levantamento da situação de cada um em agosto de 2026:

Deputado em 2016 - Voto - Onde está em 2026

Antônio Jácome | SIM | Perdeu a disputa para o Senado em 2018 e deixou a Câmara. Está de volta às urnas em 2026, agora candidato a deputado estadual pelo MDB.
Beto Rosado | SIM | Ex-deputado federal, ficou sem mandato após a eleição de 2022. Continua atuando politicamente no Oeste e, nesta campanha, declarou apoio a Juninho Saia Rodada para deputado federal.
Fábio Faria | SIM | Foi reeleito em 2018, licenciou-se para ser ministro das Comunicações de Jair Bolsonaro e não disputou mandato em 2022. Hoje é ex-deputado e ex-ministro e permanece politicamente próximo do grupo de Allyson Bezerra. Em agosto, teve valores bloqueados pelo TSE para pagamento de multa eleitoral relativa à campanha de 2022.
Felipe Maia | SIM | Abriu mão da reeleição em 2018 para que o pai, José Agripino, disputasse uma vaga de deputado federal. Está sem mandato desde então e não conseguiu reconstruir uma carreira eleitoral equivalente à que possuía antes de 2018.
Rafael Motta | SIM | Reelegeu-se deputado em 2018, mas deixou a Câmara após disputar o Senado em 2022. Em 2026, está novamente na disputa: é candidato ao Senado pelo PDT, compondo o campo político da candidatura de Cadu Xavier.
Rogério Marinho | SIM | Perdeu a reeleição para deputado em 2018, mas ganhou enorme projeção nacional no governo Bolsonaro, primeiro como secretário e depois ministro do Desenvolvimento Regional. Em 2022, foi eleito senador pelo RN. Hoje está no PL e atua como coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro.
Walter Alves | SIM | Deixou a Câmara para disputar o governo em 2022 como vice de Fátima Bezerra e foi eleito. Posteriormente rompeu politicamente com o grupo governista. Em 2026, é presidente estadual do MDB e candidato a deputado estadual, apoiando Allyson Bezerra para o Governo.
Zenaide Maia | NÃO | Foi a única deputada federal potiguar a votar contra o impeachment. Dois anos depois, elegeu-se senadora. Continua no Senado até 2027 e, em 2026, disputa a reeleição ao Senado pelo PSD

Dez anos depois: só três chegaram ao Senado ou ao Governo

Em 2016, Antônio Jácome, Beto Rosado, Fábio Faria, Felipe Maia, Rafael Motta, Rogério Marinho e Walter Alves formaram os sete votos potiguares favoráveis ao impeachment. As justificativas variaram: Jácome falou em combate à corrupção; Fábio Faria mencionou união nacional e retomada do crescimento; Walter Alves falou em “esperança de dias melhores”; e Rafael Motta afirmou que carregava a “frustração de uma nação”. Rogério Marinho, por sua vez, incluiu em seu pronunciamento críticas à educação e aos governos petistas. Zenaide ficou sozinha no “não”, argumentando em defesa dos avanços sociais e afirmando que não enxergava Eduardo Cunha e Michel Temer como soluções para o país. 

Uma década depois, cinco daqueles oito parlamentares já não ocupam mandato federal: Antônio Jácome, Beto Rosado, Fábio Faria, Felipe Maia e Rafael Motta. Entre os sete que votaram pelo impeachment, Rogério Marinho foi quem alcançou a posição eletiva federal de maior destaque, tornando-se senador; Walter Alves chegou à vice-governadoria e agora tenta voltar ao Legislativo estadual. Já Zenaide Maia, justamente a única integrante da bancada que votou contra Dilma, foi eleita senadora em 2018 e permanece no Senado em 2026

Dos oito deputados potiguares daquela votação, a única que disse “não” ao impeachment foi também a que saiu diretamente da Câmara para o Senado nas eleições seguintes. Rogério chegaria ao Senado quatro anos depois, em 2022. Enquanto isso, nomes de grande peso naquela bancada, como Felipe Maia e Fábio Faria, deixaram a disputa eleitoral direta; Beto Rosado perdeu o mandato; Rafael Motta tenta retornar ao Congresso pelo Senado; Antônio Jácome busca agora a Assembleia; e Walter Alves tenta chegar ao Legislativo estadual. É um retrato de como a bancada que representava o RN num dos momentos mais dramáticos da política brasileira foi profundamente remodelada em apenas dez anos.