Descontos indevidos no INSS: PF prende Carlos Lopes, presidente de associação foragido
G1 - A Polícia Federal (PF) prendeu, na noite dessa quarta-feira (12), o presidente da Conafer, Carlos Lopes, que foi indiciado no mês passado no âmbito da Operação Sem Desconto. A investigação mira um esquema bilionário de descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS.
🔎A Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer) é apontada pela PF como peça central em um esquema de filiações falsas e cobranças não autorizadas de beneficiários do INSS, movimentando milhões de forma irregular.
Segundo a PF, Carlos Lopes estava foragido desde novembro do ano passado. Ele se apresentou na Superintendência Regional da Polícia Federal em Brasília, e "será encaminhado ao sistema prisional após os procedimentos de praxe"./i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/5/8/icG0ArSDy30dkt2wDF1A/54821408324-6a29c37c6a-k.jpg)
O então presidente da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), Carlos Lopes, fala à CPMI do INSS no dia 29 de setembro de 2025 — Foto: Carlos Moura/Agência Senado
Conafer foi alvo de inquérito
No mês passado, a PF concluiu a primeira investigação da Operação Sem Desconto, quando foram indiciadas, ao todo, 48 pessoas.
Entre elas estão o ex-presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Alessandro Stefanutto, o ex-procurador-geral do órgão, Virgílio de Oliveira Filho, o ex-diretor de benefícios da autarquia, André Fidelis e o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca.
Nesta ocasião, Carlos Roberto Ferreira Lopes foi formalmente indiciado. A Conafer foi o principal alvo do inquérito.
🔎Em 17 de novembro, Lopes foi alvo de um mandado de prisão, mas ele não foi encontrado para que a prisão fosse cumprida. Portanto, passou a ser considerado foragido.
A Conafer, no entanto, publicou uma nota na época, na qual negou que ele teria fugido. Afirmou que o presidente da instituição estava "em viagem em área de difícil acesso e com limitação de comunicação" e que estaria em processo de retorno.
Nesta quarta, ele se entregou à PF. No pedido de indiciamento, a PF defendeu que ele responda por organização criminosa, lavagem de dinheiro em caráter majorado e reiterado e corrupção ativa majorada.
O relatório final da PF foi encaminhado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça.
Fraudes no INSS
De acordo com as investigações, o esquema de fraudes consistia em descontar de aposentados e pensionistas do INSS valores mensais, como se eles tivessem se tornado membros de associações de aposentados, quando, na verdade, não haviam se associado nem autorizado os descontos.
A investigação começou em 2023 na Controladoria-Geral da União (CGU), no âmbito administrativo. Em 2024, após a CGU encontrar indícios de crimes, a PF foi acionada.
Os descontos indevidos nas pensões e aposentadorias pagas pelo INSS podem chegar a R$ 6,3 bilhões, de acordo com os investigadores.