Derrota de Flávio e contestação das urnas provocam afastamento de lideranças evangélicas do bolsonarismo
A derrota de Flávio Bolsonaro (PL) para Lula nas eleições presidenciais de 2026 e a decisão do senador de contestar o resultado das urnas provocaram um movimento de distanciamento entre importantes lideranças evangélicas e o bolsonarismo. Segundo reportagem de O Globo, publicada nesta terça-feira (3), representantes de igrejas como a Universal do Reino de Deus e as Assembleias de Deus passaram a adotar uma postura mais cautelosa em relação à família Bolsonaro, especialmente após a divulgação de uma carta em que Flávio se apresentou como presidente eleito e sua saída para os Estados Unidos.
Entre os sinais dessa mudança está a manifestação do bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal, que criticou o lema “Deus, pátria e família”, associado ao bolsonarismo. Na Assembleia de Deus de Madureira, o bispo Abner Ferreira reconheceu a vitória de Lula e defendeu o respeito à decisão dos eleitores. Já JB Carvalho, líder da igreja onde Flávio foi batizado, afirmou que a eleição estava encerrada e rejeitou a ideia de um terceiro turno. Até mesmo Silas Malafaia, aliado histórico dos Bolsonaro, criticou reservadamente a reação dos filhos do ex-presidente, embora continue defendendo Flávio publicamente.
O afastamento também envolve cálculos políticos das próprias denominações religiosas. Na Universal, por exemplo, metade dos 12 deputados federais ligados à igreja não conseguiu renovar o mandato, alimentando avaliações internas de que a aproximação com o bolsonarismo trouxe mais benefícios eleitorais ao grupo político do que à instituição religiosa. Apesar das divergências, não há um rompimento generalizado com a direita. O movimento indica, sobretudo, uma tentativa de preservar a autonomia política das igrejas e evitar que suas lideranças sejam associadas à contestação do resultado eleitoral.