Depois da fake news do "furto famélico" em 2024, TRE precisa provar que novo canal não servirá apenas para registrar denúncias
O lançamento de um canal de denúncias de desinformação pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN) representa uma iniciativa importante para fortalecer a integridade do processo eleitoral. Em um cenário cada vez mais marcado pela circulação de conteúdos falsos nas redes sociais, oferecer um mecanismo para que eleitores comuniquem possíveis fake news é um avanço institucional que merece reconhecimento.
O desafio, porém, não está na criação do canal, mas na velocidade de resposta. A experiência das eleições de 2024 em Natal demonstrou que combater a desinformação apenas depois que ela já produziu seus efeitos é insuficiente. Durante o segundo turno, ganhou força a narrativa falsa de que Natália Bonavides estaria propondo a liberação do chamado "furto famélico". A informação foi amplamente disseminada durante a campanha, mas as providências judiciais vieram apenas na reta final da disputa, quando o impacto político da mentira já havia sido absorvido pelo debate eleitoral.
Por isso, a efetividade do novo canal será medida menos pelo número de denúncias recebidas e mais pela capacidade de resposta da Justiça Eleitoral. Em eleições, uma notícia falsa pode alcançar milhares de pessoas em poucas horas, enquanto uma decisão tardia dificilmente consegue reparar o dano causado. Sem rapidez na análise e na adoção de medidas, um canal de denúncias corre o risco de se transformar apenas em uma formalidade administrativa, incapaz de impedir que a desinformação continue influenciando o voto dos eleitores.