• Redação
  • 29/07/2026

Defensores de Álvaro Dias parecem acreditar que ainda estamos no jardim da infância

A narrativa de que o Partido Novo estaria conduzindo, por iniciativa própria e sem qualquer alinhamento político, ações judiciais que beneficiam diretamente a pré-candidatura de Álvaro Dias exige um elevado grau de credulidade. Em campanhas eleitorais, é comum que partidos, federações, coligações ou aliados assumam a autoria de medidas judiciais estratégicas, evitando que o candidato figure diretamente como autor das ações e, assim, reduza eventuais desgastes políticos. Trata-se de um expediente conhecido do ambiente eleitoral, independentemente do campo político.

Diante desse contexto, soa pouco convincente a tentativa de apresentar o Novo como um agente completamente autônomo, definindo sozinho toda a estratégia jurídica de um grupo político do qual é aliado desde o início da disputa. A percepção transmitida por essa versão é a de que o partido estaria atuando em temas de evidente interesse eleitoral sem qualquer coordenação com o principal beneficiário das iniciativas. Como interpretação política, essa explicação parece desconsiderar a dinâmica normalmente observada em campanhas e acaba exigindo do eleitor um grau de ingenuidade difícil de sustentar.

TIRO NO PÉ

 Do ponto de vista da comunicação política, a iniciativa também pode ter produzido um efeito contrário ao pretendido. Ao buscar judicialmente a retirada do perfil de Instagram de Allyson Bezerra, partido aliado de Álvaro Dias acabou contribuindo para ampliar a repercussão da resposta pública do adversário, que ultrapassou a marca de 500 mil visualizações. Na prática, o episódio reforça uma lição recorrente das campanhas eleitorais: estratégia jurídica e estratégia de comunicação precisam caminhar juntas. Quando essa coordenação falha, uma medida concebida para limitar a exposição do adversário pode acabar lhe proporcionando ainda mais alcance e visibilidade perante o eleitorado.