De Robinson para Fátima e de Fátima para Cadu: a diferença entre as transições está na abertura às associações empresariais, comerciais e à sociedade civil
A transição do governo Robinson Faria para Fátima Bezerra, em 2018, teve uma configuração diferente daquela que agora se desenha entre Fátima e o governador eleito Cadu Xavier. Naquela ocasião, a equipe de transição foi formada predominantemente por nomes técnicos e políticos, sem registros públicos de participação institucional das principais federações empresariais e associações comerciais do Rio Grande do Norte. Embora tenha havido diálogo com organizações da sociedade civil, a composição anunciada não contemplava formalmente essas representações.
Agora, a transição de Fátima para Cadu apresenta uma proposta de interlocução mais ampla. O governador eleito anunciou convites a entidades empresariais, comerciais e outras organizações representativas da sociedade potiguar, incluindo a Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (FIERN) e a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio-RN). A iniciativa busca abrir espaço para que diferentes setores econômicos e sociais apresentem diagnósticos, demandas e propostas para a próxima administração estadual.
A diferença é politicamente significativa. Enquanto a transição de 2018 teve uma composição mais concentrada no núcleo técnico e político do governo eleito, a atual sinaliza uma tentativa de institucionalizar o diálogo com representações da sociedade civil, incluindo o empresariado. Os convites não significam necessariamente adesão política dessas entidades ao novo governo, mas indicam disposição para ouvi-las. O alcance efetivo dessa abertura dependerá da participação das organizações convidadas e da incorporação de suas contribuições ao planejamento da gestão.