• Redação
  • 21/05/2026

De cachê atrasado a vigilância em banheiro: como foi fazer Dark Horse

Metrópoles - O Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões no Estado de São Paulo (SATED-SP) recebeu uma série de denúncias envolvendo os bastidores do filme Dark Horse. Trata-se da polêmica biografia do ex-presidente Jair Bolsonaro financiada parcialmente, segundo revelação do Intercept Brasil, pelo banqueiro preso Daniel Vorcaro, do extinto Banco Master.

A obra é alvo da Polícia Federal por suspeita de financiar o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-RJ) em articulações internacionais contra autoridades brasileiras. Os recursos foram solicitados pelo senador e pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Ao menos 15 pessoas revelaram condutas abusivas por parte da produção, incluindo revistas descabidas, cachê atrasado e vigilância até durante uma ida rápida ao banheiro.

As denúncias foram reunidas pelo sindicato em um relatório ao qual o Metrópoles teve acesso. A reportagem também conversou com fontes que trabalharam no set de filmagens do longa-metragem, que endossaram os relatos.

“Até ao banheiro, até à porta do banheiro, acompanhavam a gente. E a gente não podia ir na hora. Tinha que ser na hora que eles queriam pra gente ir no banheiro”, afirmou o ator Fábio Gamboa, um dos figurantes do filme.

Diárias atrasadas

Apesar do orçamento milionário do longa, que recebeu aporte de R$ 61 milhões somente de Vorcaro, fontes ouvidas pela reportagem também afirmam que a diária paga era abaixo do valor praticado pelo mercado em produções do mesmo porte — R$ 100 para figuração comum e R$ 170 para o elenco de apoio.

Além do cachê inferior ao de costume, as denúncias citam atraso nos pagamentos.

“Atrasaram o cachê também. Primeiro falaram que era com 10 dias, 15 dias. Chegou a passar mais de 30 dias para fazer o pagamento”, lembra Gamboa.