• Redação
  • 12/09/2026

'Dark Horse': produtor dos EUA de filme sobre Jair Bolsonaro diz que só entrega documentos à PF com ordem da Justiça americana

G1 - Um dos produtores do filme "Dark Horse", cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), afirmou em um e-mail que não autorizava que documentos da empresa armazenados nos Estados Unidos fossem repassados às autoridades brasileiras sem que o pedido seja formalizado pelos mecanismos de cooperação jurídica entre os dois países.

"Conforme orientação de nossos advogados nos Estados Unidos, informo que, na minha condição de sócio majoritário da GOUP Entertainment LLC, não autorizo o encaminhamento,
Às autoridades brasileiras ou a quaisquer terceiros, de documentos societários, contábeis, fiscais, bancários ou contratuais da empresa custodiados nos Estados Unidos sem a estrita observância do devido processo legal norte-americano", afirma Michael Davis, produtor da Go Up Entertainment LLC.

Davis, que se identifica como sócio majoritário da GO UP Entertainment LLC, enviou a mensagem à produtora Karina Ferreira da Gama no dia 2 de setembro de 2026, após ela receber um ofício da Polícia Federal solicitando informações para a investigação.


🎥 O filme "Dark Horse" ganhou notoriedade após a divulgação, pelo site Intercept Brasil, de conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, em que o filho do ex-presidente solicita recursos para financiar a produção cinematográfica.

Segundo Davis, pedidos de autoridades brasileiras deveriam ser feitos por canais de cooperação jurídica internacional e atendidos apenas mediante ordem de um juiz dos EUA.

"Solicito, portanto, que nenhum documento da GOUP Entertainment LLC seja compartilhado, enviado ou apresentado sem a prévia validação desses requisitos por nossos advogados nos EUA".

“Eventuais requisições de autoridades brasileiras que envolvam documentos ou dados sob jurisdição americana devem ser formalizadas exclusivamente pelos canais diplomáticos e de cooperação jurídica internacional competentes, incluindo, quando aplicável, carta rogatória ou pedido de assistência judiciária mútua, de modo que qualquer produção, exibição ou entrega de documentos ocorra somente mediante ordem emanada de juiz norte-americano, assegurando à empresa o amparo legal do processo e o direito ao contraditório”.

No dia 19 de agosto, a PF enviou um ofício a Karina Ferreira da Gama e deu prazo de dez dias para o envio das informações solicitadas. Em 2 de setembro, Karina encaminhou o documento ao produtor Michael Davis e pediu apoio na elaboração da resposta.

A troca de e-mails integra o inquérito sobre o filme Dark Horse, cujo conteúdo se tornou público após o levantamento do sigilo de procedimentos ligados ao caso Master.

Ao defender o aprofundamento da investigação, os investigadores afirmaram ser necessário identificar a origem do dinheiro, o trânsito dos valores e os beneficiários finais da operação.

A PF também busca obter contratos, comprovantes de pagamento, instrumentos de câmbio, notas fiscais e documentos societários relacionados ao financiamento da produção.

Jim Caviezel no pôster de 'Dark Horse' — Foto: Reprodução/Instagram/therealjimcaviezel

Leia a íntegra do e-mail:

Karina,
Boa tarde,
Conforme orientação de nossos advogados nos Estados Unidos, informo que, na minha condição de sócio majoritário da GOUP Entertainment LLC, não autorizo o encaminhamento,
Às autoridades brasileiras ou a quaisquer terceiros, de documentos societários, contábeis, fiscais, bancários ou contratuais da empresa custodiados nos Estados Unidos sem a estrita observância do devido processo legal norte-americano.
Eventuais requisições de autoridades brasileiras que envolvam documentos ou dados sob jurisdição americana devem ser formalizadas exclusivamente pelos canais diplomáticos e de cooperação jurídica internacional competentes, incluindo, quando aplicável, carta rogatória ou pedido de assistência judiciária mútua, de modo que qualquer produção, exibição ou entrega de documentos ocorra somente mediante ordem emanada de juiz norte-americano, assegurando à empresa o amparo legal do processo e o direito ao contraditório.
Solicito, portanto, que nenhum documento da GOUP Entertainment LLC seja compartilhado, enviado ou apresentado sem a prévia validação desses requisitos por nossos advogados nos EUA.
Coloco-me à disposição para alinharmos os próximos passos.

Investigações

O financiamento do filme de Bolsonaro é investigado em dois inquéritos perante o STF.

➡️ O primeiro, sob relatoria do ministro André Mendonça, apura os repasses feitos por Vorcaro — em que circunstâncias foram feitos, qual a origem do dinheiro, qual o montante exato e qual seu destino final. Investigadores suspeitam que parte dos recursos não tenha sido usada no filme.

É no âmbito deste inquérito que Flávio consta na lista de investigados.

➡️ O segundo inquérito, sob relatoria do ministro Flávio Dino, investiga se a produtora Go Up Entertainment usou emendas parlamentares para bancar a produção.

A PF fez uma operação nessa quinta-feira (10) e cumpriu mandados de busca e apreensão contra suspeitos de envolvimento em um esquema de desvio de emendas parlamentares.

Entre os alvos estão o deputado federal Mario Frias (PL-RJ) e Karina Ferreira da Gama, dona da produtora responsável pelo filme.

➡️ Havia ainda uma investigação em São Paulo, conduzida pela Polícia Civil, para apurar um contrato de mais de R$ 150 milhões entre a Go Up e a prefeitura para instalação de pontos de wi-fi em bairros da periferia. O contrato não foi cumprido integralmente e existem suspeitas de que parte dos valores foi desviada. Esse inquérito passou a tramitar com Dino no STF.

Financiamento do filme

🎥 O filme "Dark Horse" ganhou notoriedade após a divulgação, pelo site Intercept Brasil, de conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, em que o filho do ex-presidente solicita recursos para financiar a produção cinematográfica.

O banqueiro ajudou a financiar o filme, e as negociações envolveram contatos diretos com o filho mais velho do ex-presidente, que pediu dinheiro e pressionava pelos pagamentos.

Vorcaro chegou a pagar R$ 61 milhões aos produtores do filme, via fundo nos Estados Unidos.

Segundo o site "The Intercept Brasil", Flávio Bolsonaro teria negociado o repasse de US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões na época, para financiar a produção.

  • R$ 75,1 milhões - valor que a produtora diz ter gasto;
  • R$ 61 milhões - valor que Daniel Vorcaro teria destinado ao filme via fundo nos EUA;
  • R$ 134 milhões - valor que Flávio Bolsonaro teria negociado antes de Vorcaro ser preso;
  • R$ 108 milhões - valor do contrato entre ONG de Karina da Gama e a Prefeitura de SP para instalação de wi-fi na capital paulista.