• Redação
  • 10/09/2026

Críticas a Mendonça superam elogios nas redes pela primeira vez na crise, diz Folha

Pela primeira vez desde o início da crise interna que atingiu o Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro André Mendonça passou a registrar mais manifestações negativas do que de apoio nas redes sociais. Levantamento realizado pela empresa de inteligência de dados Ativaweb DataLab apontou que, das mais de 3,6 milhões de interações registradas no ambiente digital na última terça-feira, 52,8% trouxeram críticas diretas à atuação do magistrado, enquanto as menções favoráveis recuaram para 33,5%. A informação foi divulgada na coluna da Mônica Bergamo, na Folha de S. Paulo.

A virada na percepção pública ocorreu após a decisão do ministro de afastar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, sob a alegação de ter sido alvo de espionagem ilegal por parte da corporação. Apesar do crescimento do desgaste em torno das recentes decisões de Mendonça, a análise do ambiente digital mostra que o ministro Alexandre de Moraes segue liderando o índice absoluto de rejeição nas redes, acumulando 88,4% de publicações críticas em plataformas como X, Instagram, Facebook, TikTok e YouTube, diz a reportagem.

O volume acumulado de postagens sobre a crise do STF já ultrapassa a marca de 66 milhões de citações, englobando termos ligados ao Banco Master, à Procuradoria-Geral da República, à Polícia Federal e ao Palácio do Planalto. A expansão do debate indica que a disputa deixou de se concentrar apenas na troca de acusações entre personagens específicos para envolver o papel das próprias instituições de Estado.

Apesar do crescimento de Mendonça, Alexandre de Moraes segue liderando o índice de rejeição nas redes, acumulando 88,4% de publicações críticas (Foto: Antonio Augusto / STF)

Mudança no perfil do debate e desgaste ampliado

A análise dos dados digitais indica uma transição no comportamento dos usuários e na estrutura das conversas online. No início das revelações sobre as mensagens trocadas no caso Master, os termos mais citados focavam nas denúncias de repasses financeiros e contatos privados. A partir dos desdobramentos recentes, o foco dos debates passou a incluir termos como competência, autonomia do plenário, PGR, Advocacia-Geral da União e Presidência da República.

Analistas do levantamento ressaltam que o desgaste político deixou de ficar restrito a um único alvo e passou a alcançar múltiplos atores do meio jurídico e governamental. A entrada de nomes do Executivo, da cúpula da PF e de juristas na discussão pública demonstra que a crise perdeu o caráter de um escândalo isolado e transformou-se em um embate direto sobre o equilíbrio e o exercício do poder em Brasília.